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Disco: “III”, Maglore

Maglore
Indie/Alternative/Rock
http://www.maglore.com.br/

Com o lançamento de Vamos Pra Rua, em 2013, a baiana Maglore deu um salto criativo. Catálogo frenético de vozes e melodias direcionadas com acerto aos mais variados públicos, o registro serviu para aproximar ainda mais o grupo original da cidade de Salvador de todo um novo universo de arranjos e tendências musicais. A busca declarada por uma sonoridade mais pop, radiofônica, conceito que ao esbarrar em diferentes ritmos (e cores) da década de 1970 serve de estímulo para o recém-lançado III (2015, Deck Disc).

Terceiro álbum de inéditas da banda – hoje composta por Teago Oliveira (voz e guitarra), Rodrigo Damati (baixo e voz) e Felipe Dieder (bateria) -, o trabalho produzido por Rafael Ramos é uma verdadeira colcha de retalhos. De um lado, a essência de veteranos como Caetano Veloso, Roberto Carlos, The Beatles e Los Hermanos. No outro, o expressivo reforço de grandes representantes do rock atual, caso de estrangeiros como Tame Impala e Arctic Monkeys, artistas dissolvidos em pequenas doses de psicodelia que borbulham ao fundo do disco.

Para quem acompanha o trabalho da banda desde a estreia, em 2011, com o álbum Veroz, nenhuma novidade de fato “espantosa”. A diferença em relação aos últimos lançamentos do grupo está na completa desenvoltura e dinamismo que rege o álbum até a última canção, a descritiva e cômica Vampiro da Rua XV. Faça o teste: do momento em que tem início a faixa de abertura do álbum, O Sol Chegou, apertar o botão de “pause” é uma tarefa praticamente impossível. Não existe tempo para descanso, fazendo com que hits e versos fáceis apareçam a cada nova curva.

Entre os principais elementos que forçam essa transformação está a escolha de Rafael Ramos quanto produtor do disco, além, claro da pontual troca de integrantes desde o último projeto de estúdio. Enquanto Ramos, personagem que já trabalhou com diversos nomes da cena brasileira, como Pitty, Titãs e Los Hermanos, aproxima o registro de diferentes cenas do rock nacional, a cada nova faixa, evidente é o fôlego renovado e ânsia exaltada por cada membro do grupo. Um contrastado choque de referências que garante movimento e leveza ao trabalho.

É esse mesmo efeito contrastado que amarra os versos e arranjos espalhados por toda a obra. Enquanto letras melancólicas e declarações entristecidas sustentam a lírica confessional do trabalho, em se tratando das melodias alavancadas pelas guitarras, a explícita busca por um som radiante, alegre e sempre entusiasmado. Mesmo nos instantes de maior tristeza do disco, caso de Se Você Fosse Minha, Tudo de Novo e Ai Ai, enquanto os versos sufocam amargurados, os arranjos crescem, explodem e praticamente obrigam o ouvinte a dançar.

Confortavelmente instalado no mesmo cercado criativo de obras lançadas por bandas como Luneta Mágica, Dingo Bells e Pousatigres, III é apenas mais uma prova de que é possível produzir (boa) música pop no Brasil sem necessariamente sufocar pelo excesso de rimas previsíveis e arranjos cobertos de poeira. Uma obra perfumada pelo passado, porém atual, capaz de dialogar com a presente safra de novos representantes (e públicos) da cena brasileira.

III (2015, Deck Disc)

Nota: 8.3
Para quem gosta de: Dingo Bells, Pélico e Luneta Mágia
Ouça: Invejosa, Ai Ai e Se Você Fosse Minha

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2 thoughts on “Disco: “III”, Maglore

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