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Disco: “Imperium”, Blouse

Blouse
Indie/Dream Pop/Female Vocalists
http://www.blouseblouse.com/

Por: Fernanda Blammer

Blouse

Enquanto parte significativa das bandas encontram nas emanções letárgicas do Dream Pop um princípio para flutuar, o Blouse, cansado dos clichês ou apenas interessado em reinventar, foi em busca de um novo cenário musical. Com uma sonoridade levemente acelerada e vocalizações incapazes de se acomodar na mesma estética mística do gênero, Charlie Hilton, Jacob Portrait e Patrick Adams fizeram do debut, em 2011, uma obra de acerto, mas de perceptível timidez, como se o trio ainda estivesse em busca de uma composição sonora realmente própria.

Em Imperium (2013, Captured Tracks), segundo e mais novo lançamento da banda norte-americana, toda essa busca iniciada há dois anos parece finalmente ter alcançado um resultado específico. Musicalmente capaz de romper com a timidez exposta no debut, o registro de apenas dez composições ameniza vocais e expande as guitarras em um curioso exercício crescente e ponderado na mesma divisão. São vozes que resgatam a essência do Dream Pop, mas caminham em um terreno ainda mais ruidoso do que no primeiro disco, aproximação que esbarra no Shoegaze, toca na psicodelia e garante ao grupo uma série de novos percursos a serem aprimorados.

Dividido de forma bastante clara em dois blocos, Imperium traz na primeira metade um exercício brando nas composições, quase como uma extensão do álbum anterior. Faixas como In A Glass, Capote ou mesmo a própria música-título, que praticamente sufocam o trabalho em um oceano de pequenos ruídos, vocais quase inaudíveis e uma atmosfera empoeirada que cheira a nostalgia. De forma quase intencional, é possível sentir na orientação das faixas uma forte relação com a obra de Ariel Pink pré-Befeore Today (2010). Canções impregnadas pela lisergia, mas que mantém um ponto de orientação constante.

Enquanto o eixo inicial se sustenta em cima de vozes que praticamente se esfarelam nos ouvidos – salvo Eyesite e 1000 Years -, com a chegada de In A Feeling Like This tudo muda. Com uma presença cada vez maior das guitarras, o trio abre espaço para que músicas como Happy Days e Arrested garantam a formação de um cenário quase tátil, longe dos inventos etéreos inicialmente propostos. O efeito rompe de forma bastante evidente com o cenário musical detalhado há três anos, distanciando o clima matinal (exposto logo na capa do álbum), para presentear o ouvinte com um som de natureza noturna.

Assim como os instrumentos garantem maior liberdade ao grupo, em se tratando dos versos esse efeito é ainda mais perceptível. Exemplo evidente disso está na construção de No Shelter, canção que em nenhum momento se desapega do universo imposto no debut, mas aproxima a banda de um resultado naturalmente criativo e melódico. São pouco mais de três minutos em que guitarras, batidas e vozes parecem ecoar em sintonia, garantindo um dos exemplares mais assertivos lançados até agora pelo trio. O mesmo efeito volta a se repetir em In A Feeling Like This e Eyesite, canções que não excluem a atmosfera particular do trio, mas aprimoram com leveza e uma boa carga de melodias tudo o que foi conquistado previamente.

Empoeirado por essência, Imperium é, mais do que o álbum de 2011, um registro entregue ao experimento. Por mais que cada uma das canções apresentadas no disco sejam posicionadas em uma atmosfera de conhecimento pleno, efeito da maturidade alcançada, quanto mais o grupo de Portland passeia pelas faixas, mais caminhos eles deixam abertos para um novo trabalho. Dessa forma, é possível chegar ao fim do álbum e ser presenteado com boas respostas, ao mesmo tempo em que aguardar com expectativa o que quer que o grupo venha a apresentar já sirva como um salto para futuros lançamentos.

 

Imperium

Imperium (2013, Captured Tracks)

Nota: 7.0
Para quem gosta de: Craft Spells, Selebrities e Wild Nothing
Ouça: No Shelter e In A Feeling Like This

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