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Disco: “Impersonator”, Majical Cloudz

Majical Cloudz
Indie/Alternative/Singer-Songwriter
https://www.facebook.com/MajicalCloudz

 

Por: Cleber Facchi

Majical Cloudz

Lançado há quase dois anos, II (2011), registro de estreia do Majical Cloudz passou praticamente despercebido pelo público e imprensa. Ouvintes que talvez (com razão) não tiveram tempo e expectativas para o minimalismo sofredor que angustiava a obra do canadense Devon Welsh. Nítido projeto de descoberta, cada instante das 15 composições que abastecem o disco revelam uma singularidade no argumento do compositor, que ao transportar aspectos demasiado particulares de seu próprio sofrimento parecia se isolar em um mundo lírico de forte apelo claustrofóbico e difícil aproximação.

O registro, entretanto, acabou chamando a atenção de alguns ouvintes, produtores e outros artistas como a própria Grimes, que acabou convidando o conterrâneo para colaborar com construção de Nightmusic, uma das faixas que recheiam o bem estabelecido Visions (2012). Mais do que isso, com o lançamento de II Welsh atraiu os ouvidos do tecladista e produtor Matthew Otto, parceiro do músico e o grande responsável pelos rumos que a (agora) banda assumiu em meados do último ano. Assim, a partir de Turns Turns Turns EP, lançado em dezembro de 2012 o Majical Cloudz deixou de ser um produto individual da mente de Devon para assumir um propósito – ainda que controlado – de coletivo.

Mesmo que os rumos sejam outros, ao pisar no terreno doloroso de Impersonator (2013, Matador), cada verso exposto na obra se aproxima diretamente da melancolia individual de seu realizador. A diferença está no fato de que Welsh parece livre de termos próprios, tratando de elementos marcados pela depressão como canções de acesso universal, capazes de atrair os mais diversos públicos. Dessa forma, o novo álbum atende uma necessidade típica de qualquer registro que esteja naturalmente sustentado na dor, fragmentando versos e sons dentro de uma medida que parece manifestar liricamente o universo do próprio ouvinte.


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Como parecia anunciado na construção do último EP, o novo álbum trata dos vocais do canadense como o principal elemento sonoro de toda a obra. Tão logo a faixa-título tem início, são as vozes de Welsh que chamam a atenção e prendem o ouvinte, resumindo um nivelamento que delimita com propriedade cada música do disco. Dançando em uma medida que vai de Ian Curtis à Matt Berninger, o cantor foge à regra, carregado na dramaticidade um elemento fundamental para que Childhood’’s End, Bugs Don’’t Buzz e outras faixas extremamente dolorosas da obra cresçam com primor. É quase possível afirmar que se trilhasse a obra solitário, a capella e desprovido de instrumentos, a voz de Devon teria peso suficiente para alimentar a obra e impressionar.

Mesmo que a voz de Welsh se sustente por completo, parte disso vem da instrumentação controlada e do posicionamento assertivo de Matthew Otto por toda a obra. Limitando as batidas e concentrado na produção de vestes instrumentais finas, o músico utiliza de sintetizadores sempre próximos um mecanismo de abastecimento para o disco. É de Otto a responsabilidade de aproximar as dez canções que figuram pelo álbum, fazendo com que as recordações tristes da infância ou mesmo o desespero solitário do vocalista alcancem o impacto que de fato estabelecem.

Validando o título que sustenta o álbum – em português algo como “ator”, “imitador” ou “performer” -, Devon Welsh sobe ao palco do registro para interpretar com beleza o papel que lhe foi concedido: o de si próprio. Mais do que cantar sobre aspectos relacionados ao universo particular que o rodeia, o cantor transmite no sofrimento um exercício de extrema aproximação com o ouvinte, transformando o que poderia soar como uma obra de porções egoístas um tratado de sofrimento involuntariamente compartilhado.

 

Impersonator (2013, Matador)


Nota: 8.0
Para quem gosta de: Autre Ne Veut, Doldrums e Sean Nicholas Savage
Ouça: Childhood’’s End


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