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Disco: “In Heaven”, Twin Sister

Twin Sister
Indie Pop/Lo-Fi/Female Vocalists
http://twinsistermusic.com/

 

Por: Cleber Facchi

Esqueçam os rótulos requintados que tentam delimitar o trabalho do Twin Sister como um projeto demasiado conceitual. Em In Heaven, primeiro disco do grupo original de Long Island, Nova York somos embriagados com uma boa soma de composições genuinamente pop e radiofônicas, faixas capazes de cercar e encantar o ouvinte em uma única audição. Dolorosamente romântico e açucarado, o álbum é um passeio de cinco músicos joviais pelas reverberações da década de 80, um trabalho que se adorna de elementos e conceitos bem elaborados, mas que se traduz em um som som simples, porém suficientemente encantador.

Talvez a tonalidade Lo-Fi exaltada pela banda em suas primeiras canções – lançadas em idos de 2008, mesmo ano que o grupo se formou – acabassem involuntariamente posicionando o quinteto formado por Gabe D’Amico, Eric Cardona, Andrea Estella, Dev Gupta e Bryan Ujueta como mais um dos expoentes da Chillwave ou de todos os subgêneros que cresciam na época. A banda, entretanto, sempre manteve certa distância disso tudo, algo que fica mais do que claro logo na música de abertura do álbum, Daniel, uma faixa que mesmo colorida pela tinta fosca do Dream Pop, rompe seus limites estéticos e se firma como um belo tratado musical acessível e despojado.

Mesmo que os vocais de Estella ou a instrumentação enevoada que a acompanha, em alguns momentos faça surgir na mente do ouvinte uma versão menos obscura da dupla Beach House, os vocais deliciosamente práticos e o ritmo colorido das músicas dão outro rumo ao projeto. In Heaven, todas suas composições são o Bruno Natal (URBe) define como uma “nostalgia oitentista imaginada”, algo bem explicado pela faixa etária de seus idealizadores, indivíduos que não acompanharam a década de 1980 de perto, mas que encontram no período sua grande inspiração musical e poética.

Longe de qualquer formatação que possa traduzir o disco como um dos grandes lançamentos de 2011 – em termos de inventividade ou real contribuição musical -, o registro vai aos poucos lançando 10 composições que mesmo fáceis, grudentas e simplistas encantam o ouvinte sem muito esforço, transformando o disco em uma espécie de fuga da realidade, um pequeno abrigo pop descontraído do qual dificilmente queremos sair. Seja ao falar de amor, ou cercando-se pela saudade, o disco transborda honestidade e beleza, fazendo com que o quinteto, mesmo sem grandes e detalhadas exposições musicais se transforme na sua mais nova banda favorita.

Com uma musicalidade concisa e que passeia livre de amarras ao longo do trabalho, aos poucos torna-se perceptível a divisão do álbum em duas frentes instrumentais bem distintas. A primeira se concentra em cima de faixas com uma sonoridade direcionada para um lado mais “eletrônico”, com Estella sendo escondida em uma névoa de sintetizadores soturnos e pequenas batidas sintéticas projetadas de forma controlada. Surgem assim, músicas como a baladinha pop oitentista Luna’s Theme ou mesmo a quase dançante Space Babe, uma espécie de Lado B de algum grande clássico do synthpop.

O melhor momento do álbum, entretanto, reside nas músicas direcionadas por uma instrumentação mais orgânica, algo que se manifesta nas guitarras coloridas de Saturday Sunday, na fluência nostalgica de Bad Street ou mesmo na pequena passagem da banda pelos ritmos marítimos de Gene Ciampi. Duas frentes musicais tecnicamente distintas, mas que ao término do trabalho parecem se encontrar, proporcionando um álbum doce, despretensioso e que provavelmente ficará em um looping quase eterno em seu player de música.

 

In Heaven (2011, Domino)

 

Nota: 7.8
Para quem gosta de: Toro Y Moi, Twin Shadow e Tennis
Ouça: Daniel e Bad Street


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