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Disco: “INNI”, Sigur Rós

Sigur Rós
Icelandic/Post-Rock/Ambient
http://sigur-ros.co.uk/

 

Por: Cleber Facchi

 

Pouco são os artistas contemporâneos que conseguem estabelecer uma estranha sensação de euforia, surpresa e misticismo a cada novo trabalho lançado. Ainda mais raros são aqueles que conseguem transportar toda essa mesma energia e todo esse caráter mágico para junto de suas apresentações ao vivo, algo que apenas um pequeno (e raro) grupo de artistas conseguem possibilitar a seus sempre ativos espectadores. Figura icônica dentro desse seletíssimo grupo, os islandeses do Sigur Rós chegam agora com o aguardado Inni (2011, XL), primeiro registro ao vivo do quarteto que já contabiliza mais de 15 anos de carreira e alguns dos mais importantes registros musicais da história.

A ânsia pelo lançamento de um registro oficial que cubra de maneira satisfatória as sempre marcantes apresentações da banda é algo que se estende há bastante tempo. Provavelmente desde que o documentário Heima foi apresentado em setembro de 2007 que esse sentimento de devoção e espera se intensificou ainda mais, afinal, em meio ao colossal jogo de surpreendentes imagens que compunham o premiado documentário foi possível observar um pouco de como as sempre belas composições do grupo são dissolvidas em suas performances ao vivo.

Hábeis artesões na hora de promover seus trabalhos, o quarteto transforma o duplo Inni em uma coleção de formidáveis clássicos, faixas que há anos impressionam novos e velhos espectadores ao redor do globo. Além de um verdadeiro cardápio musical contendo as maiores composições que o grupo de Reykjavík já desenvolveu, o registro contará com uma versão em vídeo que captará toda a essência visual do quarteto, proporcionando através da direção de Vincent Morisset – que já trabalhou ao lado do Arcade Fire no elogiado DVD Mirror Noir – uma visão ímpar do trabalho da banda.

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Obviamente pensado para atender a todas as demandas do sempre fiel grupo de seguidores da banda, o registro ao vivo não poupa esforços e nem tempo na hora de apresentar cada uma das 15 composições que o definem. Logo de cara a banda (ou entidade) presenteia seus seguidores com um épico de 10 minutos centrado nas doces experiências de Svefn-g-englar, originalmente encontrada no clássico Ágætis byrjun de 1999. A extensa duração da faixa se repete ainda em outras canções ao longo do álbum, proporcionando ao ouvinte uma constante presença musical catártica, algo bem expresso em faixas como E-Bow e Popplagið, essa última com mais de 15 minutos de duração.

Aos que previamente visualizam o trabalho como uma mera exposição ao vivo das composições da banda terão na somatória de experiências obscuras e estranhas sensações melancólicas do álbum um fenômeno – mesmo que mínimo – de ineditismo. Abrindo mão de uma sequência de sons idílicos e tocados pelas sensações etéreas, o quarteto se afunda de maneira intensa no uso apurado de guitarras, promovendo uma sucessão de exaltações musicais ruidosas que (in)voluntariamente acabam puxando o trabalho para junto de uma vertente muito mais shoegaze do que bucólica e mística em si.

Mesmo arrastado em alguns pontos e até sufocante em outros, o registro consegue captar toda a essência instrumental do grupo, proporcionando de forma sublime uma nova visão e um distinto resultado para diversos e inalterados clássicos da banda. A exposição soturna que delimita o trabalho e o preenche de inovação acaba servindo como um belo presente aos fãs, que há mais de três anos não se deparam com nenhuma novidade do quarteto islandês. Se belos são os registros em estúdio do Sigur Rós, ao vivo eles realmente parecem ganhar vida própria.

 

Inni (2011, XL)

 

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Jónsi, múm, Amiina
Ouça: Hafsol