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Disco: “Invisible Houses”, Câmera

Câmera
Brazilian/Alternative/Indie
http://www.myspace.com/camerabhz
http://kawazs.com/camera/index/

Formada por dissidentes das bandas mineiras Moldest, Verona e Colorido Artificialmente o Câmera traduz com beleza a construção de um som climático e dissolvido cuidadosamente em acordes, texturas e planos musicais detalhados. Mesmo dotado de apenas seis faixas o minúsculo álbum carrega o ouvinte para um universo embelezado por ressonâncias sinceras e aplicações policromáticas de guitarras, baixo e bateria em uma linguagem que se aproxima do post-rock, mas sem pisar no campo do etéreo por completo.

Criada em meados de 2010 a banda conta com a presença de André Travassos, Bruno Faleiro e Matheus Fleming. Os dois primeiros já eram amigos de longa data, o segundo chegou por último, mas fluiu na mesma sintonia dos primeiros chegados. Sempre trabalhando em bandas que tinham uma linguagem sonora bem próxima, o ajuntamento do trio funciona de maneira monumental nos menos de 30 minutos que compõem Invisible Houses, álbum produzido entre julho e dezembro de 2010 e que só agora chega por meio do site oficial do grupo.

O caldeirão de referência que dá suporte ao disco se compõe do post-rock de bandas como Slint, Tortoise e Hurtmold, além de algumas incursões pelo rock alternativo da década de 1990 por meio de bandas similares ao Mineral. As faixas transitam por uma instrumentação controlada, ausente de excessos, mas em nenhum momento maçante ou embaraçosa por demais. Mesmo fluindo de maneira calma Outsiders, por exemplo, cerca-se de acordes caprichados e mescla instrumentos acústicos e elétricos através de um fluxo coerente e dinâmico.

Embora exista uma predisposição muito maior à canções compenetradas, o trio se aventura pela criação de sons abertos e ainda assim detalhistas em faixas como Teenage Lust. A bem orientada bateria de Fleming aos poucos vai se agregando das guitarras e violões de Travassos e o baixo competente de Faleiro. Um pouco mais “alegre” que as demais faixas do trabalho, a canção seque por meio de acordes mais acessíveis, sem nunca deixar de lado as boas distorções e os momentos mais viajados. Apesar de ter sido gravado de maneira semi-caseira, em nenhum momento essa e outras canções do disco caem na rotulação de lo-fi.

Há uma plasticidade vigente nas seis faixas do disco. Mesmo House of the Holy Sins dotada de grilos ao fundo, e uma aproximação com uma sonoridade bem mais orgânica em nenhum momento se perde dentro de camadas ruidosas. Tanto os vocais como a instrumentação vem captados de maneira límpida agregados de uma qualidade imensurável.

Sem dúvidas seria interessante ver a banda se aventurando através de letras em português, mesmo cantando perfeitamente em inglês. Se fosse possível apontar um erro dentro do singelo trabalho desse trio mineiro, este seria o número reduzido de faixas. A qualidade e o dinamismo das criações deixam a sincera vontade de uma continua audição das faixas, mesmo a boa duração das composições é demasiada efêmera. Só resta esperar por um trabalho mais extenso, qualidade para isso o trio já comprovou ter.

Invisible Houses (2011)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Colorido Artificialmente, Hurtmold e Moldest
Ouça: Teenage Lust

Por: Cleber Facchi

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