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Disco: “Jamie Lidell”, Jamie Lidell

Jamie Lidell
R&B/Soul/Pop
http://www.jamielidell.com/

Por: Cleber Facchi

Jamie Lidell

Um ano antes de Amy Winehouse transformar Back To Black (2006) em um marco do Neo-Soul e de toda a reformulação que ocuparia a música britânica – até então consumida pelo revival Pós-Punk -, Jamie Lidell lançaria uma obra de valor similar ou talvez até maior. Longe dos dramas comerciais e livre dos mesmos excessos que acompanhariam a cantora até os últimos instantes de vida, Multiply (2005) acabou acolhido por uma parcela reduzida do público, ouvintes que encontraram no trabalho do cantor e produtor inglês uma alternativa renovada ao gênero e um espaço de transformação muito mais rico do que se derramava nos versos e na sonoridade de faixas como Rehab.

Entre passagens pela eletrônica, pop e até aproximações coerentes com o soul-funk da década de 1980, Lidell faz do autointitulado novo álbum uma honesta conexão com o passado – o dele ou mesmo o de outros músicos. Se há oito anos o bem sucedido registro serviria para influenciar toda uma nova geração de entusiastas do R&B (Justin Timberlake entre eles), hoje o músico parece acrescentar um toque extra de bom humor e suingue no soul macambúzio que se apodera da música “alternativa”. É como se do meio do agregado de batidas densas, sons amargos e letras dolorosas que vão de Frank Ocean a Jessie Ware, Lidell transformasse o novo álbum em um convite para a dança.

Mesmo que a tristeza esteja diluída em parte expressiva do que garante movimento às 11 inéditas composições do novo disco, assim como nos trabalhos anteriores o britânico supre a dor com base em um registro de nítido apelo comercial. Vozes, batidas, teclados, guitarras e, principalmente, as linhas de baixo, tudo é explorado de forma a cativar o ouvinte em uma seleção de versos que se encaixam deliciosamente em camadas límpidas de uma produção bem resolvida. Nada que outros produtores, ou mesmo o próprio Lidell, já não tenham aproveitado anteriormente, porém, um acumulado de sons tão grudentos que basta uma única audição para sair dançando ou cantarolando os versos de qualquer faixa do trabalho.


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Coerente com o passado, mas sem abandonar em nenhum instante as experimentações eletrônicas que o situam de forma definitiva no presente, o produtor faz do novo álbum um tratado de encontros constantes. Enquanto Blaming Something parece ser a melhor música jamais composta por Prince, Do Yourself A Faver apresenta o trabalho de Mayer Hawthorne e Breakbot ao verdadeiro clima da década de 1970, não como uma simples referência, mas um resultado que parece de fato vivenciado. Um disco capaz de pular do pop descartável dos anos 2000, para a fase mais rica de Michael Jackson sem se desligar da herança de Sly & The Family Stone e outros gigantes da música negra.

Passeando por diferentes universos e tendências instrumentais, é necessário perceber que mesmo a multiplicidade que tinge o disco não conseguem afastar o produtor de um trabalho de reforço próprio. Exemplo concreto disso se encontra no Blues-Soul de Why_Ya_Why, música que cheira a passado, mas parece simplesmente impossível de ser encontrada em qualquer outro trabalho do gênero. Até quando brinca com as canções mais comerciais de toda a obra, entre elas Do Yourself A Faver e You Naked, Lidell jamais desperdiça a possibilidade de inventar, derramando doses monumentais de referências eletrônicas, sintetizadores imprevisíveis e reforços dançantes que ultrapassam sem dificuldade a barreira do comum.

De fato, Jamie Lidell recuperou a boa forma e conseguiu alcançar um grande álbum, mas o ouvinte vai precisar de fôlego para chegar até o fim dele. Se por um lado a carga volumosa de sons e o ritmo pulsante incentivam o crescimento do disco, a partir de You Know My Name o acerto se transforma em excesso. Sem pausas ou composições mais brandas, o álbum se perde em um abastecimento cíclico que prejudica de maneira gradativa a formação da obra. É como se o espectador vagasse pelo álbum sem chances para respirar. Mesmo que Don’t You Love Me até amenize a situação, o brilho pop e a necessidade em soar grande faz com que o trabalho volte frequentemente ao começo, resultando em um efeito redundante e que mesmo capaz de atrair em audições iniciais, faz com que o trabalho morra lentamente.

 

Jamie Lidell

Jamie Lidell (2013, Warp)


Nota: 7.3
Para quem gosta de: Mayer Hawthorne, Justin Timberlake e Breakbot
Ouça: What a Shame, You Naked e Do Yourself A Faver

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