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Disco: “Joyland”, Trust

Trust
Electronic/Synthpop/Alternative
http://ttrustt.com/

Por: Cleber Facchi

Trust

Robert Alfons é um fanático pela década de 1980, mas isso é apenas um detalhe. Tendo na massa de elementos sintéticos lançados há três décadas um princípio de abastecimento para a própria obra, o músico/produtor canadense fez do primeiro álbum com o Trust, de 2012, um cenário evidente de experimento e forte descoberta. Em continuidade ao mesmo conjunto de referências lançadas há dois anos, o artista encontra no recém-lançado Joyland (2014, Arts & Crafts) um palco não apenas para ampliar as próprias possibilidades, mas um trabalho que o autoriza a brincar com todos os clichês e exageros musicais do passado.

Como Slightly Floating, faixa de abertura logo identifica, Alfons está (mais uma vez) posicionado em algum lugar entre o fim dos anos 1970 e o começo da década seguinte. O nascimento do Depeche Mode, a explosão sombria da música gótica e a crescente expansão do pós-Punk inglês se misturam lentamente com a massa de sons climáticos projetada pelo artista. Um passo que se divide entre as pistas (Geryon) e a melancolia quase mórbida dos sintetizadores (Are we Arc?) ao longo de toda a obra.

Menos tímido do que no trabalho passado, o canadense firma na presente obra a construção de um registro íntimo do público médio. Como Capitol identifica logo na abertura e as demais faixas seguem no restante do disco, o planejamento atento das vozes abre espaço para que versos, mesmo simples, cheguem com presença até o espectador. É difícil não se deixar seduzir enquanto o jogo dinâmico das harmonias circunda e alimenta o refrão, mecanismo antes “limitado” dentro do posicionamento Lo-Fi que orienta o álbum de 2012.

A julgar pela forma como o pop circunda diversas composições do disco, caso explícito de Geryon e da própria faixa-título, Alfons encontra em Joyland uma obra que busca simplificar aspectos do trabalho anterior. Ainda que canções aos moldes de Dressed For Space fossem capazes de dialogar com a mesma atomosfera comercial do recente álbum, outras como Bulbform parecem reforçar todo o enclausuramento da obra. Seja ao brincar com a colagem de sons (Four Gut), ou produzindo uma canção essencialmente dançante (Peer Pressure), a leveza predomina no trabalho do produtor.

Mesmo a comunicação com uma nova parcela de ouvintes não impede que o artista arrisque alguns experimentos. Em geral são bases não convencionais de sintetizadores e até pequenos artifícios vocais, proposta que ocupa toda a construção da versátil Rescue, Mister. Composição mais complexa e ainda assim atrativa do álbum, a faixa costura todo o histórico de nomes como Depeche Mode com o trabalho de artistas recentes do Synthpop – caso de Com Truise e Joel Ford. Um misto inteligente de passado e presente que caracteriza de forma involuntária toda a essência de Trust.

Longe de reforçar apenas o delineamento instrumental do disco, em Joyland as confissões de Alfons ganham novo sentido. Pontuado pela tristeza, o álbum estimula um curioso contraste que arrasta com firmeza a melancolia para as pistas. Faixas que discutem relacionamento (Capitol), choram (Are we Arc?) ou apenas experimentam um novo amor (Rescue, Mister) sem perder o caráter dançante. Um distúrbio confuso que parece expor cada fragmento sentimental do músico, mas que também são nossos.

Trust

Joyland (2014, Arts & Crafts)

Nota: 8.4
Para quem gosta de: Light Asylum, Crystal Castles e Pictureplane
Ouça: Rescue, Mister, Capitol e Lost Souls/Eelings

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2 thoughts on “Disco: “Joyland”, Trust

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