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Disco: “Kinshasa One Two”, DRC Music

DRC Music
Electronic/World Music/Afrobeat
http://drc-music.tumblr.com/

 

Por: Fernanda Blammer

Palavras como “férias”, “descanso” ou “folga” parecem simplesmente abolidas do dicionário pessoal do britânico Damon Albarn. Entre apresentações ao vivo com sua principal banda, o Blur, álbuns e singles através do Gorillaz, pequenas incursões que acabaram resultando no The Good, the Bad and the Queen, além de incontáveis participações nos trabalhos de outros artistas, Albarn resolveu agora mudar seu foco, curvando seus olhos para o continente africano, encontrado através do projeto DRC Music uma possibilidade de cruzar a música regional que emana do continente e pequenas doses de música eletrônica.

Acompanhado de 50 músicos – incluindo cantores, compositores e um diversificado corpo de instrumentistas -, o inglês de 43 anos foi até a República Democrática do Congo (vem daí o nome do projeto) para mergulhar de vez nos ritmos por lá exaltados, procurando de maneira atual ressaltar as mesmas experiências musicais que na década de 1980 nomes como David Byrne e Paul Simon acabaram proporcionando. Cruzando o sintético com o orgânico e temperando tudo de maneira levemente experimental, o músico e seus parceiros vão aos poucos construindo uma espécie de música africana futurística, uma quase nova World Music.

Embora a ideia soe inicialmente estranha se observarmos as principais produções do cantor, quase todas voltadas ao rock alternativo, não é de hoje que Albarn vem buscando estreitar seus laços com a cultura africana. Basta uma rápida audição de qualquer trabalho à frente do Gorillaz para percebermos que a ligação do músico com o grande continente negro já vem se realizando desde tempos remotos. Muito embora sua “banda fictícia” surja oculta por uma visível predisposição ao hip-hop além de flertes com a música eletrônica, alguns visíveis toques de afrobeat sempre teceram o pano de fundo das composições do músico, algo bem reforçado por faixas como Dirty Harry.

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Em Kinshasa One Two (2011, Warp), entretanto, nada de meras pinceladas ou rápidas transições pela música africana, afinal, cada canto do registro apresenta doses intensas de música regional, algo que se reflete tanto na instrumentação primorosa do disco, como em seus vocais. Composto de 14 faixas, o álbum vai aos poucos costurando intensificadas sequências de percussão, vozes ecoando dialetos locais, instrumentos excêntricos e específicos da região, além, claro, de minuciosos acréscimos eletrônicos, talvez único elemento que transpareça algo como “Damon Albarn” está aqui.

Mesmo que consiga proporcionar um variado jogo de composições bem desenvoltas e carregadas por um ritmo dançante e chamativo, em determinados momentos do disco o caráter artificial da obra acaba superando o da originalidade. Músicas como We Come From The Forest e Customs (ambas ao lado do Bokatola System), por exemplo, soam excessivamente sintéticas, utilizando da música regional apenas como uma espécie de desculpa para promover um som cacofônico e nada interessante. Um completo oposto dos momentos inicias da obra, em que o álbum se movimenta solto e capaz de cativar o ouvinte.

Dividido em faixas tomadas por uma sonoridade natural e canções estritamente eletrônicas, o álbum acerta apenas quando se volta ao primeiro grupo, fugindo de quaisquer excessos ou formas sonoras que se desenvolvam de maneira irregular. Por mais criativa e bem intencionada que seja a ideia de Albarn, o disco deixa a clara noção de que poderia ser melhor desenvolvido, afinal, é como se o próprio artista lançasse a sua visão do que é a música exaltada em solo congolês e não o que ela realmente é.

 

Kinshasa One Two (2011, Warp)

 

Nota: 7.0
Para quem gosta de: Konono Nº1, Gorillaz e Mali Music
Ouça: Hallo

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