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Disco: “La Grande”, Laura Gibson

Laura Gibson
Folk/Indie/Female Vocalists
http://www.myspace.com/lauragibson

Por: Juliana Pinto

 

Laura Gibson afirma que finalizar uma música, as vezes parece ser um absoluto milagre. É um trabalho árduo e complexo, que envolve muitas horas encarando uma folha de papel em branco, longas caminhadas e outros rituais bem característicos, que no fim resultam em um brainstorm de inspiração, e que ajudam na finalização da música. O tema do quinto trabalho de estúdio da cantora, entitulado La Grande (cidade do estado de Oregon, nos EUA) é, mais do que qualquer outro, confiança. E foi pensando nisso que Gibson estruturou todas as 10 faixas do registro, enfatizando que este seria um disco sobre mudanças, reformas, e principalmente sobre seguir em frente.

La Grande é uma cidade onde nada de muito impressionante acontece, é típica e pacata. Até agora. Laura Gibson volta com mais maturidade e aprendizado da sua turnê com Colin Meloy, passando tudo isso para o novo disco e transformando o álbum um registro interessante, o que vai de encontro com o tom discreto que a cidade homônima tem. Deixando de lado a solidão e a quietude dos trabalhos anteriores, a cantora reaparece com canções confortáveis, suaves e despretensiosas, carregadas de influências do folk, do country e até mesmo do classic rock – mesmo que mais timidamente.

A energia do La Grande é singular, e formada pela combinação dos acordes amenos do violão de Gibson e pela sua voz agradável, dando charme, conteúdo e melodia às letras sempre inspiradas da compositora. Ela afirma que o método de criação as vezes pode ser demorado e até mesmo tortuoso, mas quando ouvimos faixas como Red Moon ou The Fire, fica fácil acreditar que para Laura Gibson, compor é um processo que flui naturalmente.

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Com parcerias de peso como Joey Burns do Calexico, Nate Query e Jenny Conlee do The Decemberists, o disco se transforma em algo, se mantendo firme e estável dentro da sua proposta inicial que, vamos lembrar, é confiança. É um álbum que não precisa ser tocado no último volume para que se imponha, muito pelo contrário: sua beleza é exatamente a sua simplicidade e modéstia que emana através das faixas. Disco de atmosfera atemporal, que faz o ouvinte ficar imerso na aura folk proclamada por Gibson.

Por todos os lados a cantora apresenta letras que falam sobre liberdade e que em alguns momentos são até vibrantes quando comparadas às delicadas melodias. É um ponto que difere La Grande do melancólico e sombrio Beast Of Seasons, registro de 2009. Longe de ser severo como o seu antecessor, o disco de 2012 é igualmente pessoal, mas conta com uma energia diferente, um aspecto mais confiante que nos leva a concluir que a artista conseguiu alcançar a sua meta de produzir um trabalho mais completo, mais pleno.

Ela afirmou em entrevista que escreveu La Grande acreditando que para ela não havia limites e que se sentiu bastante livre para concluí-lo. É esse teor intimista que Laura Gibson dá a todos os seus trabalhos que destaca a jovem cantora dentro da cena e a faz ser uma das grandes compositoras do folk.

La Grande (2012, City Slang)

Nota 7.5
Para quem gosta de: Laura Marling, First Aid Kit e Feist
Ouça: The Fire
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