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Disco: “Lenses Alien”, Cymbal Eat Guitars

Cymbal Eat Guitars
Indie Rock/Shoegaze/Noise Pop
http://www.myspace.com/cymbalseatguitars

Os últimos dois anos foram de intensas e necessárias mudanças para o grupo nova-iorquino Cymbal Eat Guitars. Depois de ganharem o reconhecimento da crítica e conquistarem um pequeno público através do sujo Why There Are Mountains (2009), agora a banda norte-americana precisa dar continuidade ao seu elogiado debut, com um registro que traz o grupo em nova formação e que apresenta a banda em sua nova casa, a Barsuk Records, selo que deve garantir maior alcance ao novo LP do grupo, Lanses Aliens.

Não se deixe enganar pelos sons límpidos lançados na abertura do disco através da faixa Rifle Eyesight (Proper Name), logo as boas e sujas guitarras da banda começam a ganhar formas, afinal, durante os pouco mais de oito minutos da composição o que não falta ao grupo é a possibilidade de ecoar seus instrumentos de forma ruidosa, alta e de maneira ainda mais intensa do que a proclamada em sua estreia. Categórica, a gigantesca canção não apenas revive todas as sensações do anterior álbum dos nova-iorquinos, como parece uma verdadeira introdução aos não iniciados nas poderosas composições do grupo.

Trafegando dentro das mesmas sonoridades lançadas pelos conterrâneos do Titus Andronicus e Smith Westerns, o quarteto Joseph D’Agostino (guitarra e vocal), Matthew Miller (bateria), Matt Whipple (baixo) e Brian Hamilton (teclados) encontra através deste novo disco uma unidade musical ainda maior do que a explorada no álbum de 2009. Para além do uso de guitarras sujas que convergem elementos das guitar bands dos anos 80/90 com toques do noise rock dos anos 2000, o grupo parece ter abraçado de maneira discreta a música pop.

Mesmo em meio ao apanhado de referências anárquicas, sujas e tomadas de distorção, as melodias pegajosas e uma musicalidade puramente acessível vão predominando ao longo do álbum, com  D’Agostino destilando guitarras e vocais tomados de um teor pós-adolescente radiofônico. O álbum acaba lembrando muito grandes obras do rock alternativo, como Bug (1988) do Dinosaur Jr ou Copper Blue (1992) do Sugar, ambos discos em que mesmo o variado jogo de sonorizações sujas e uma densidade adulta não conseguem esconder uma condução jovial e de pura intensidade.

Há todo momento surgem composições de incomparável beleza poética e principalmente sonora, faixas como Another Tungaska, que metaforiza acontecimentos do cotidiano com o Evento de Tunguska, tudo isso enquanto uma verdadeira orquestra de guitarras vão se evidenciando de maneira gigante ao longo da composição. Mesmo nos momentos mais experimentais e climáticos do álbum o grupo não erra a mão, apresentando músicas como The Current e Gary Condit, faixas que evidenciam a banda em formas que vão da melancolia aos mais puros momentos de lisergia, puxando o quarteto para junto de um Pavement do disco Crooked Rain, Crooked Rain (1994).

A cada nova audição do recente disco a escolha do produtor John Agnello se revela como a mais acertada. Responsável  em grande parte pelo belo resultado gerado nos dois últimos (excelentes) álbuns do Dinosaur Jr – Beyond (2007) e Farm (2009) –, o produtor mais uma vez evidencia toda sua habilidade, se posicionando como um quinto integrante dentro da banda, e fazendo com que o grupo nova-iorquino eleve sua instrumentação ao máximo. O resultado não poderia ser outro, um trabalho sujo, melódico, tomado de boas letras e maduro. Se alguém via Why There Are Mountains como um trabalho imbatível, então espere para ouvir Lanses Aliens.

Lansen Aliens (2011, Barsuk)

Nota: 8.6
Para quem gosta de: Titus Andronicus, The Pains Of Being Pure At Heart e Smith Westerns
Ouça: Another Tunguska e Rifle Eyesight (Proper Name)