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Disco: “Lazaretto”, Jack White

Jack White
Rock/Blues/Alternative
http://jackwhiteiii.com/

Por: Cleber Facchi

Jack White

O ruidoso cruzamento entre o Rock e Blues apresentado em 1999 por Jack White no primeiro álbum do The White Stripes ainda é a base para os (novos) inventos do compositor. Longe da crueza alcançada no repertório de Blunderbuss (2012), trabalho de estreia em carreira solo, o norte-americano usa da diversidade de formas instaladas em Lazaretto (2014, Third Man) como um objeto de expansão conceitual. Tal qual os dois álbuns lançados pelo The Raconteurs – Broken Boy Soldiers (2006) e Consolers of the Lonely (2008) -, o presente disco é uma viagem por diferentes épocas da música estadunidense sem fugir do presente.

Menos eufórico, mas não menos intenso que o registro passado, Lazaretto é uma obra que cresce dentro dos domínios e fórmulas próprias lançadas por White – o que não quer dizer que ele seja um trabalho redundante. Enquanto o disco entregue há dois anos trouxe no manuseio frio da guitarra um ponto de apoio para as canções, hoje o músico vai além. Pianos, violões e bateria abrangente distanciam o álbum do ar “garageiro” de outrora, movimentando a construção de uma obra essencialmente orgânica em suas imposições.

Observado atentamente, o novo álbum solo de White é uma adaptação de diversos elementos antes lançados em Get Behind Me Satan (2005)e Icky Thump (2007), os dois últimos discos do The White Stripes. Basta perceber a relação com a música Country em Temporary Ground, faixa que usa dos vocais femininos como uma espécie de regresso ao contexto alcançado com a ex-parceira Meg White. A mesma percepção ocupa músicas como Alone In My Home e Entitlement, faixas que cruzam guitarras e pianos em uma explícita comunicação com os antigos inventos do músico.

Mais do que revisitar a própria obra, em Lazaretto Jack White parece inclinado a estreitar os laços com diversas influências responsáveis por sua formação musical. Basta perceber como I Think I Found The Culprit e suas guitarras slide olham com carinho para o Country das décadas de 1960 e 1970 – principalmente para o trabalho de Loretta Lynn e Wanda Jackson, com quem trabalhou recentemente. Dessa forma, influências confessas do mesmo período, como Captain Beefheart e Led Zeppelin, acabam em um segundo plano, minimizando de forma assertiva a agressividade antes exposta pelo cantor.

Ainda que acerte ao manter o fluxo do disco voltado ao passado, White não consegue se afastar de uma série de clichês evidentes espalhados pelo disco. Talvez o exemplo mais evidente se revele nos versos e arranjos de Just One Drink, uma redundante canção sobre bebedeira que em nada acrescenta ao gênero. Mesmo a canções sobre as três musas em Three Women, faixa de abertura do álbum, pouco ecoa novidade, trazendo na repetição dos versos e rimas simples um tropeço que diminui a grandiosidade dos arranjos.

De fato, o grande acerto de Jack White em Lazaretto se revela nas melodias e pequenos acréscimos instrumentais espalhados durante a obra. Por mais que a coerência assumida em Blunderbuss sustente uma obra muito mais homogênea, com todas as faixas ambientadas em uma mesma base estética, ao alcançar o novo disco White vai além, trazendo em cada acréscimo – de voz ou sonoro – do álbum um estímulo.

 

Lazaretto (2014, Third Man)

Nota: 7.3
Para quem gosta: The Raconteurs, The Black Keys e Alabama Shakes
Ouça: Lazaretto, I Think I Found The Culprit e Temporary Ground


2 thoughts on “Disco: “Lazaretto”, Jack White

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