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Disco: “Life Sux EP”, Wavves

Wavves
Lo-Fi/Noise Pop/Indie
http://www.myspace.com/wavves

 

Por: Cleber Facchi

Da esquizofrênica e quase inaudível estreia em 2008 ao pop de praia contagiante e chapado de King Of The Beach. Do público recluso e interessado nas frequências do skate rock, para o acesso aos principais festivais de música norte-americano e o amplo crescimento de seus seguidores. Em pouco mais de três anos de atuação à frente do Wavves, Nathan Williams e seus parceiros saíram do completo desconhecimento para brilhar com destaque nas páginas da principais publicações musicais do país, bem como se transformar na mais nova coqueluche do indie rock contemporâneo, algo que os californianos buscam ressaltar em seu mais novo lançamento: Life Sux.

Dotado de oito faixas, o pequeno EP segue pelas mesmas vias já percorridas pelo grupo de San Diego, Califórnia em seu último álbum lançado em 2010. As guitarras bebericando de uma melodia mais pop e acessível, os vocais harmônicos e as letras totalmente pegajosas talvez jamais fossem imaginadas se voltarmos os olhos e os ouvidos para o talvez longínquo primeiro álbum do Wavves, um registro permeado por composições repletas de ruídos caóticos, massas sonoras totalmente instáveis e guitarras tomadas por um som cacofônico e difícil de ser absorvido. Estranhos elementos que não são encontrados em nenhum momento ao longo deste novo trabalho.

Da abertura dançante e ensolarada da faixa Bug ao fecho com a já conhecida Mickey Mouse, Williams e os companheiros Stephen Pope e Jacob Cooper vão arremessando pequenas rajadas de versos bem humorados, guitarradas carregadas de despojo, além de um tipo de energia pop refrescante que só parece ser encontrada através dos lançamentos do Wavves. Bebendo do punk, passeando pelo Lo-Fi, surfando nas ondas do Surf Rock, além de alguns mínimos flertes com o hardcore, o disco e suas oito composições fluem através de uma naturalidade ímpar, com o Wavves investindo em um tipo de resultado ainda mais voltado para voltado para o público mais comercial, evitando qualquer elemento complicador.

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Diferente dos registros anteriores, em que Williams surgia como uma figura solitária, assumindo cada mínimo espaço dentro dos trabalhos, em Life Sux – que ao contrário dos discos anteriores, lançados pela Fat Possum, chega através da Ghost Ramp – além de contar com a companhia de seus companheiros de banda, o músico acaba até dividindo os vocais e algumas canções com outros parceiros voltados ao rock alternativo norte-americano. Enquanto Nodding Off traz o becking vocal da namorada e vocalista do Best Coast, Bethany Cosentino, Destroy, como o título já anuncia conta com a participação destrutiva do líder da banda canadense Fucked Up, Damian Abraham.

Embora agradáveis as rápidas parcerias, o grande acerto do EP reside nos momentos em que apenas Williams e seus colegas assumem os comandos do registro. Provavelmente uma das melhores faixas do ano (pelo menos uma das mais humoradas) I Wanna Meet Dave Grohl, traz o músico assumindo querer conhecer ou mesmo ser o próprio líder do Foo Fighters, Dave Grohl. Já Poor Lenore deixa a banda transparecer uma espécie de sofrimento irônico, com um dos poucos momentos de “calmaria” dentro do disco, um completo oposto do que as faixas seguintes acabam apresentando.

Mesmo as boas participações ou algumas canções mais do que competentes não conseguem esconder o caráter de “B-Side” que vai permeando o registro, o que pode até resultar em críticas do tipo “um trabalho oportunista”, algo que ele obviamente é, porém não pode ser observado apenas dessa maneira. Entretanto, enquanto não apresenta o substituto definitivo do excelente King Of The Beach nada melhor do que sermos agraciados com suas razoáveis, porém ainda assim funcionais criações.

 

Life Sux (2011, Ghost Ramp)

 

Nota: 7.0
Para quem gosta de: Best Coast, No Age e Male Bonding
Ouça: I Wanna Meet Dave Grohl

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