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Disco: “Lights Out”, Big Deal

Big Deal
British/Indie Rock/Alternative Rock
http://www.myspace.com/weareabigdeal

Por: Cleber Facchi

Aos que venham a observar de maneira rápida o trabalho da dupla Alice Costelloe e Kacey Underwood através do projeto Big Deal, provavelmente a sonoridade repassada pelo duo talvez acabe soando como a expressa por tantos outros casais recentes no mundo da música. O corpo de versos romanticamente elaborados, o entrelace de vozes dicotômicas e as guitarras granuladas podem facilmente arremessar a banda para junto de outras como Best Coast, Cults e outros tantos óbvios projetos, entretanto, passada uma primeira audição, logo a estreia do duo inglês reforça um novo caráter musical.

Simplista e fazendo disso sua maior arma, Lights Out (2011, Mute) consegue estranhamente hipnotizar o ouvinte sem muitos esforços, concentrando em seu bem executado jogo de versos seu grande e fundamental elemento de sustentação. Nada além das guitarras toscamente bem executadas de Underwood e o complemento vocal da parceira estão presentes dentro do disco, o que faz com que o álbum se reproduza de forma honesta impregnando deliciosamente os ouvidos de quem quer que se aventure pela dúzia de românticas e melancólicas canções do álbum.

Embora a ausência de baixo e bateria acabem inicialmente causando certo desconforto ao ouvinte – em certas faixas como Cool Like Kurt eles realmente fazem falta -, à medida que o trabalho cresce menos essa falta se faz presente, como se apenas as sujas guitarras que preenchem o disco e seus límpidos vocais fossem elementos mais do que suficientes ao espectador. A sensação é de que todos esses instrumentos adicionais de fato estão lá, por trás de cada poluído acorde de guitarra ou mínima emanação vocal.

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Como um prato agridoce, o álbum vai aos poucos repassando ao ouvinte suas mistas sensações. As guitarras estridentes e que ecoam um Sonic Youth em sua melhor fase acabam esbarrando na amenidade vocal do duo, que talvez acabe lembrando uma versão menos caótica da dupla Kings of Convenience. Em seus momentos mais sofridos, Talk e PI, por exemplo, as doses de vocais femininos lembram uma Cat Power shoegaze, enquanto o despretensioso toque de anos 90 em Chair acaba transformando a duplaem um Yuck moderado e sincero.

Em sua essência Lights Out é um trabalho totalmente simples e desprovido de qualquer visível ambição que normalmente escorre de qualquer recente projeto vindo do velho continente. A tonalidade suave e delicada do trabalho, entretanto, não impede a exposição de um álbum puramente belo e envolvente, que em nenhum momento parece escapar de seus limites. Com um clima levemente sexual em alguns momentos – a sonoridade proposta acaba lembrando um The XX mais sujo -, o registro inicialmente pequeno e moderado cresce mediante sua concisão musical, além da tonalidade atmosférica que se estende por todos os cantos do trabalho, se apresentando como uma das grandes surpresas do ano.

A instrumentação segura e os versos bem delineados que ecoam através das faixas transmitem uma constante sensação de segurança e simpatia pelo álbum, como se todos os elementos apresentados já fossem velhos conhecidos do espectador. Ouvir Lights Out é como saltar em câmera lenta de um grande paredão, tendo a fatal queda confortavelmente absorvida por uma gigante cama de ruídos cuidadosamente delimitados, versos reconfortantes e uma estranha, porém deliciosa melancolia.

Lights Out (2011, Mute)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Sonic Youth, Cat Power e Girls
Ouça: Cool Like Kurt, Chair e PI

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