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Disco: “Limbo EP”, Pazes

Pazes
Brazilian/Electronic/Experimental
https://www.facebook.com/pages/Pazes

Por: Cleber Facchi

De todas as gratas surpresas que o Sónar São Paulo conseguiu proporcionar dentro da diversificada programação do festival, sem dúvidas uma das mais interessantes está relacionada ao trabalho do produtor Lucas Febraro. Hoje com 21 anos, o brasiliense responsável pelo projeto Pazes resolveu há alguns anos deixar de lado as guitarras e o envolvimento com a MPB para se conectar diretamente com a música eletrônica, não com o eletrofunk comercial que ecoa nas festas em solo tupiniquim, muito menos com a House Music que se estende pelos mais diversificados focos de eletrônica do país, Ferraro, assim como os grandes que brilham internacionalmente, gosta de experimentar.

Embora já contasse com um material interessante espalhado pela internet – incluindo uma ótima e inusitada versão para Do Sétimo Andar, do Los Hermanos – é com a chegada do primeiro EP, Limbo (2012, Independente) que Pazes mostra de fato a que veio. Distante de todas as prováveis e quase sempre tropicais referências que se apoderam da música nacional, o garoto vai de encontro aos experimentos testados ao longo da década de 1990 por grandes nomes da IDM. Mais do que isso, Febraro se revela como um atento observador de tudo que transforma e define a eletrônica contemporânea, percepção que se apodera de cada mínimo ruído arquitetado ao longo do pequeno registro de curtos 18 minutos.

Longe de simplesmente parecer com um artista internacional, Pazes captura todas as referências que o cercam e as transforma em uma pasta musical própria, uma substância densa e obscura, resultado de incontáveis somas e experimentos vindos dos mais distantes cantos da produção eletrônica. Não apenas se apoiando em grandes como Aphex Twin, Boards of Canada, Four Tet e outros mais que a cada novo trabalho reconfiguram as diretrizes e lógicas do gênero, o produtor parece buscar apoio em nomes recentes, artistas como Toro Y Moi (principalmente nas climatizações do álbum Causers Of This, de 2010), Actress e Washed Out, todos donos de um som tão ruidoso e diversificado quanto o que é proclamado pelo brasileiro.

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Se as fontes de Febraro são múltiplas e sempre distintas, pelo menos em alguns momentos do disco é possível encontrar dois focos bem específicos de onde surgem todas essas referências. Da efervescente e cada vez mais rica cena britânica vêm os ensinamentos de novos (James Blake) e velhos (Burial) representantes do dubstep, percepção traduzida nos ruídos climáticos de músicas como Matriarch e da própria faixa título. Do outro lado do Atlântico, já em solo norte-americano, aparecem os ensinamentos de produtores como Flying Lotus, Teebs, Clams Casino e tantos outros relacionados com a cena Beat ou mesmo com o próprio hip-hop instrumental, aspecto que cresce em faixas aos moldes de The Light e na lisérgica Faders.

Por justamente se tratar de um projeto inicial, Pazes aproveita cada canto do pequeno álbum para experimentar. Embora amarradas por um clima soturno e encoberto por uma névoa ruidosa, cada uma das seis faixas parece explorar uma função diferente dentro do trabalho. Enquanto Rogue States, uma parceria com o inglês Bibio revela o lado mais brando e intrsopectivo do brasiliense, The Light, a faixa seguinte parte em busca de um som nada pacato e ambiental. Com pouco mais de dois minutos a canção usa dessa “urgência” para explorar beats hipnóticos, rápidos e prontos para a dança, aspecto que o jovem produtor parece incentivar em sua performance ao vivo.

Com uma identidade musical fragmentada entre diferentes cenas e vertentes, Lucas Febraro deve encontrar no decorrer dos próximos lançamentos uma sonoridade que possa ser finalmente chamada de sua, deixando de flutuar no Limbo que se apodera do título desse primeiro trabalho. Enquanto procura por um espaço particular e não compartilhado, o exercício de passear por diferentes formas, sons, texturas e influências deve garantir pelo menos mais alguns minutos tão agradáveis e ricos quanto os que se revelam no interior do pequeno álbum.

Pazes

Limbo EP (2012, Independente)

Nota: 7.4
Para quem gosta de: Bibio, Flying Lotus e Teebs
Ouça: Matriarch, Faders e The Light

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