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Disco: “Lives and Treasures”, Acrylics

Acrylics
Indie/Alternative/Synthpop
http://www.myspace.com/acrylicsnyc

Por: Cleber Facchi

Embora todos os discos sejam feitos com carinho – tudo bem, alguns nem tanto – Lives and Treasures (2011), estreia da dupla nova-iorquina Molly Shea e Klauber Jason do Acrylics parece receber um cuidado todo especial. Embalado em camadas caprichadas de som e vocais bem inseridos, o casal fisga o ouvinte pela emoção. Seja através de momentos adocicados ou levemente tocados pela melancolia, o que não falta são motivos para o público se encantar com esse pequeno achado.

É contando carneirinhos que a dupla mostra de maneira categórica como funciona seu envolvimento com a música. Na abertura, com Counting Sheep, o casal nos acalenta através de uma sonorização ponderada, mas que imediatamente remete aos anos 80. Porém, enquanto uma soma de artistas vê no uso de sintetizadores absurdamente irritantes o único caminho para referenciar tal década é no minimalismo e na sapiência que o Acrylics constrói seu tipo de som.

É como alguma coisa feita por Bonnie Tyler, mas de maneira mais ponderada, como se não só essa, mas todas as faixas do disco carregassem uma espécie de aura de “fim de festa”. Aquele tipo de música feita para ser ouvida de maneira solitária. Mesmo quando despontam momentos um pouco mais enérgicos, como ocorre com Molly’s Vertigo ou mesmo a faixa título do trabalho, a dupla nunca deixa de lado sua faceta compenetrada e entristecida.

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Cada uma das dez faixas do álbum parecem fluir dentro de um mesmo período de tempo, embora explore tonalidades diferentes ao longo do trabalho. Há desde composições totalmente acústicas, como ocorre com The Window, uma bela pérola da folk music, assim como Shea e Jason sabem como se afundar no uso de sintetizadores. Prova disso está no ótimo uso desse tipo de instrumentos em The Catacombs, uma das faixas mais envolventes e depressivas do disco. Lives and Treasures parece na verdade com uma grande gravação caseira de uma rádio dos anos 80, mas que só agora foi descoberta.

Em nenhum momento durante o álbum o casal se revela de maneira exaltada. Ponderados do começo ao fim a dupla nos emociona, acolhe e parecendo cantar diretamente ao ouvinte, quase frente a frente. Embora caminhe por um caminho distinto, é possível em alguns momentos comparar faixas como Nightwatch, com o que faz a dupla Victoria Legrand e Alex Scally do Beach House. Porém, enquanto os nova-iorquinos se prendem muito mais aos sintetizadores e a um toque sintético, a dupla de Atlanta se acomoda confortavelmente em distorções e órgãos claustrofóbicos.

Apesar do bom rendimento do disco, essa estreia do Acrylics acaba devendo em alguns pontos. É como se o excesso de cuidado acabasse de alguma forma reduzindo de maneira impactante o fluir das canções. Mesmo que a temática do disco seja justamente a de nos envolver cuidadosamente, faltam alguns momentos mais intensos. Fora isso, o disco se mostra um belo registro sonoro, crescendo exponencialmente a cada audição.

Lives and Treasures (2011)

Nota: 7.5
Para quem gosta de: Twin Shadow, Beach House e Anos 80
Ouça: Nightwatch

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Jornalista, criador do Miojo Indie e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.