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Disco: “Living On The Edge Times”, Yuksek

Yuksek
French/Electronic/Dance
http://www.myspace.com/yuksek

Por: Fernanda Blammer

Lembram do efeito causado por D.A.N.C.E. do Justice em 2007? Então que tal um disco inteiro que venha tomado pela mesma energia que o contagiante single do duo francês conseguiu nos proporcionar? Afinal é justamente isso que você encontra em Living On The Edge Times (2011), segundo e mais recente disco do produtor francês Pierre-Alexandre Busson ou simplesmente Yuksek. Feito para ser ouvido enquanto dançamos, o álbum garante uma série de faixas despojadas, que devem garantir boas horas de animação nas pistas de dança.

Sempre lembrado pelos remixes empolgados que já construiu para gente como Mika, Phoenix, Lady Gaga, Kaiser Chiefs, Gorillaz, entre outros, Yuksek se desvencilha da fórmula arrastada de seu disco de estreia, Away from the Sea (2009), e parte para o desenvolvimento de um álbum que traz todos os clichês da música pop/eletrônica, porém tomados por um espírito energético e que ruma sempre para uma estrondosa catarse. Em 11 canções irretocáveis, o produtor obriga seu público a tomar uma única atitude: não parar de dançar.

Mesmo inundado pelo som de sintetizadores e batidas artificiais, Living On The Edge Times é um disco que se engrandece por seu caráter orgânico, lembrando muito o primeiro álbum do Friendly Fires em determinados momentos, alguns ecos da estreia do Cut Copy, sem contar com todo o panteão de músicos e produtores do cenário francês. Além da ativa participação dos ritmos da década de 80, escondidos em cada mínima frequência das faixas, muito da eletrônica dos anos 90 vem exposto através do álbum, prestando sinceras homenagens ao Daft Punk ou demais nomes que despontaram durante o período.

Normalmente em um disco do gênero, após a terceira ou quarta faixa a qualidade do registro passa a decair, algo que em nenhum momento ocorre neste novo disco. Depois que as iniciais Always On The Run, White Keys e Off The Wall findam suas execuções, não seria de se estranhar que o álbum atravessasse momentos mais amenos, indispostos da mesma energia que se abriga na dianteira do trabalho, mas é o oposto do que ocorre. Pérolas como On a Train, The Edge ou mesmo o encerramento com Dead Or Alive (lembrando um LCD Soundsystem totalmente oitentista) passam longe de soar enfadonhas, mantendo o ouvinte na pista do princípio ao fim.

Ao contrário de muitos trabalhos que atualmente carecem de um objetivo para existirem ou se revelam como produtos “conceituais”, o novo álbum do Yuksek se organiza como um registro proposto apenas para divertir. Nenhuma das faixas foca na criação de algo temático como nos álbuns do The Knife ou Fever Ray, nada de experimentações ao nível de YACHT e High Places, e muito a busca por um som mais grandioso como vem sendo entregue pelo Cut Copy em seus últimos dois discos. A única pretensão no trabalho do produtor francês é soar de forma despretensiosa.

Talvez essa ausência de um “objetivo maior” em seu trabalho acabe arrastando  Living On The Edge Times para o grupo dos “comuns”, o que o álbum não é. A instrumentação bem conduzida, aliado ao conjunto de letras pegajosas transformam o disco em um dos trabalhos mais bem organizados do ano, batendo de frente com alguns discos que venham a soar de forma madura ou intelectualizada de mais. É por fazer um trabalho fácil e dançante que Yuksek indubitavelmente acertou.

Living On The Edge Times (2011)

Nota: 7.6
Para quem gosta de: Sebastian, Friendly Fires e Boys Noize
Ouça: Always On The Run

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