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Disco: “Looping State Of Mind”, The Field

The Field
Swedish/Electronic/Minimal Techno
http://www.myspace.com/thefieldsthlm

 

Por: Cleber Facchi

Logo que o minimal techno acabou se transformando em um estilo musical redundante e saturado mediante a explosão de artistas que surgiram na segunda metade dos anos 90, o trio de produtores germânicos Wolfgang Voigt, Michael Mayer e Jürgen Paape, que há anos lidavam com trabalhos do gênero resolveram criar um selo que desse destaque apenas ao que havia de mais original dentro do estilo. Como resultado dessa busca por trabalhos carregados de ineditismo e originalidade nascia o Kompakt, selo que em mais de dez anos de atuação alavancou uma série de importantes representantes do cenário eletrônico contemporâneo.

Entre nomes como o brasileiro Gui Boratto, o próprio Mayer, além dos veteranos do The Orb, a Kompakt foi responsável por dar vida a um dos projetos mais inventivos do panorama eletrônico, o The Field, um pseudônimo escolhido pelo sueco Axel Willner e inegavelmente o maior representante do minimal techno atual. Dono do clássico recente From Here We Go To Sublime, de 2007, Wilner chega agora com seu terceiro disco, buscando por meio de suas batidas sincopadas e reverberações abafadas expostas de forma precisa dar continuidade a sua surpreendente obra.

Longe das experimentações lançadas em seu álbum anterior, Yesterday and Today (2009), em que apresentava desde uma inusitada versão de Everybody’s Got to Learn Sometime da banda inglesa The Korgis, até a inclusão de batidas projetas por John Stanier (Battles) na faixa título do disco, Wilner faz de sua nova obra um registro que toma fôlego e ganha vida própria em seu desenvolvimento. Preso em loopings hipnóticos e ruídos milimetricamente projetados, o produtor transforma seu atual registro em um trabalho de peso similar quando posicionado próximo de seu conceituado debut.

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Denominado Looping State Of Mind (2011, Kompakt), o álbum se revela como um trabalho essencialmente hermético, diminuto e que concentra seus esforços em cima de pequenas e suaves alterações. Diferente de seu primeiro álbum, em que havia a busca por um som que mesmo trabalho em contornos sofisticados, minimalistas e complexos se manifestava de forma grandiosa, em seu terceiro disco o sueco diminui o ritmo, mantendo constante a projeção de uma musicalidade compacta e conceitual, porém suficientemente dançante e aberta aos seguidores do gênero.

Com exceção da faixa de abertura, Is This Power, música que mais se assemelha ao que o produtor desenvolveu em seu anterior trabalho, o restante do disco caminha por uma fluência completamente distinta dos anteriores projetos do The Field. É quase como se ao invés de seguir o que fora proposto em From Here We Go To Sublime, Wilner seguisse por um caminho paralelo, transformando seu atual registro em um álbum que muito se assemelha ao que fora retratado em seu debut, ao mesmo tempo em que nada ali parece com o que já fora apresentado pelo produtor, transformando o disco em um projeto singular.

Diferente de outros discos voltados aos sons do minimal techno, principalmente os trabalhos apresentados por Pantha Du Prince e Gui Boratto, Wilner se distancia do uso de percussões minimalistas ou pequenas inserções ruidosas em momentos específicos de sua música, dando vazão à um tipo de som mais denso, não encaixado, mas sobreposto, como se diferentes camadas de distintas direções fossem agrupando em cada nova faixa. Fazendo uso dessa temática, Looping State Of Mind se transforma em um álbum denso, como se fosse um grande bloco acústico, incompreensível em suas dimensões, porém carregado de detalhes em suas texturas.

 

Looping State Of Mind (2011, Kompakt)

 

Nota: 8.5
Para quem gosta de: Pantha Du Prince, Gui Boratto e Ricardo Villalobos
Ouça: Arpeggiated Love