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Disco: “Lovely Things”, Selebrities

Selebrities
Indie/Synthpop/Alternative
https://www.facebook.com/Selebrities

Por: Cleber Facchi

Selebrities

Passada a redescoberta dos anos 1980 no começo da década passada, um grupo pequeno de artistas resolveu desvendar o mesmo período em busca do lado mais obscuro do Synthpop. Enquanto Chromatics e outras bandas próximas assumiram um propósito climático dentro do mesmo som, uma porção de artistas canadenses foram em busca de experimentar o estilo, resultando no surgimento de projetos como Grimes e Purity Ring. Posicionado de forma decidida no meio dessas duas vertentes está o grupo nova-iorquino Selebrities, banda que alcança com o segundo álbum de estúdio, Lovely Things (2013, Cascine), um ponto de colisão particular entre os mesmos elementos incorporados pelas duas vertentes.

Dando continuidade ao trabalho iniciado em 2011 com o debut Delusions, o trio composto por Maria Usbeck, Jer Robert Paulin e Max Peterson vai de encontro ao passado sem que haja qualquer distanciamento da produção atual. O resultado dessa travessia temporal está em uma obra alimentada por temáticas recentes, mas que se permite proteger por uma camada empoeirada de nostalgia sonora – propósito bem resolvido  nos vocais de Usbeck. Centrado em uma interpretação curiosa do Dream Pop, o disco é ao mesmo tempo uma extensão do registro anterior e uma busca constante pela novidade, marca que a banda reforça em um cardápio de dez faixas deliciosamente amargas.

Com uma sonoridade que esbarra em conceitos próximos do trabalho de Twin Sister, Chairlift e outros projetos recentes em solo norte-americano, o disco dança de forma confortável entre faixas prontas para as pistas e canções de esforço intimista. Para a construção do lado mais acelerado da obra, a banda reserva faixas como Temporary Touch e Lovers, canções que à exemplo do resultado exposto Something (2012) acertam justamente pela forma como as batidas parecem arquitetadas em paralelo aos vocais. São canções que até permitem a inclusão de uma variedade coesa de instrumentos, mas que parecem orquestrados de acordo com a estrutura eletrônica da obra.

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Já para a construção do lado mais brando (ou seria sombrio?) do trabalho, é a exposição obscura dos sintetizadores que predomina em reforço aos vocais. Enquanto Wither Away soa como uma possível sobra de estúdio de Kill For Love (2012), Fell To Earth revela toda a identidade musical da banda. Dividida de maneira natural entre instantes de pura timidez e picos influenciados por uma grandiosidade não exagerada, Maria Usbeck traz no climático overdub de vozes o ambiente perfeito para que porções delicadas de teclados se espalhem confortavelmente. O mesmo resultado parece exposto em Baroque, esta sim um fino exemplar de tudo o que foi acertado na década de 1980.

Mesmo que o acerto com o Synthpop (Found), passagens pelo Pós-Punk (Forged To Be Broken) e diversas outras travessias pela música imposta há três décadas sirvam como base para o Selebrities, a beleza em torno de Lovely Things está no experimento delicado do grupo em brincar com elementos musicais de diferentes épocas. É o caso da psicodelia ampliada nas guitarras de I Could Change e uma profunda aproximação com o pop em Born Killers, canções que mesmo centradas no propósito musical que guia a banda, se permitem poluir com uma camada nada tímida de novidade.

Sem que pareça atrasado ou possivelmente redundante em proximidade ao universo de bandas similares, com o segundo registro em estúdio o Selebrities assume identidade e a garantia de composições abertas ao público. Ao apostar na construção musical de um trabalho acessível em toda a extensão, o trio nova-iorquino não apenas amplia o universo iniciado em Delusions, como revela uma face oculta da década de 1980, provando que ainda há um percurso a ser explorado durante o período. Mesmo quem ateste uma possível ausência de novidade na obra não pode contrariar a certeza de que Lovely Things é um trabalho construído em cima de canções tão bem resolvidas e apaixonantes quanto o título que ostenta.

 

Selebrities

Lovely Things (2013, Cascine)

Nota: 7.8
Para quem gosta de: Twin Sister, Blouse e Chairlift
Ouça:  Temporary Touch, Fell To Earth e I Could Change

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