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Disco: “Maiô”, Talma&Gadelha

Talma&Gadelha
Brazilian/Indie Rock/Alternative
https://www.facebook.com/TalmaeGadelha

Por: Allan Assis

Talma&Gadelha

Registro de impressões da banda potiguar Talma&Gadelha sobre a capital paulista, Maiô (2013, Independente) transporta letras e sons sob a inspiração da MPB para junto de uma mistura calcada nas sonoridades do pop rock de forma acessível e radiofônica. Mais do que brincar com as palavras e radiações sonoras versáteis, o registro forçaa todo o instante sua mensagem: o amor como intervenção nos dias cinzas da cidade de concreto.

Arrumadas as malas, o grupo saiu de Natal, Rio Grande do Norte para a primeira turnê em São Paulo, porém, tão logo aportaram em solo paulistano tiveram de lidar com os contratempos da cidade. Entre compromissos cancelados e shows reajustados, encontraram tempo para iniciar o processo que daria origem às 11 faixas do sucessor de Matando o Amor (2011), álbum de declarações fáceis e doces reflexões sobre o amor, mas que se adornava em meio às melodias de um rock cru com pé na agressividade. No presente registro, o tema ainda traz o mesmo sentimento como fio condutor das ações e composições da banda, a diferença está no cenário e nas experiências que impulsionam o propósito do grupo.

Abre o disco a faixa título, com Simona Talma expondo de forma nostálgica as saudades de casa e o calor das pessoas de seu estado. Acompanhada por guitarras de inspiração setentista pra abrir o trunfo máximo da canção, a vocalista emenda em um refrão chiclete que pede por um simples abraço. Logo em sequência, Homem de Lata demonstra o outro lado do amor, aquele que faz sofrer e traz infelicidade quando não correspondido. A solução proposta é o endurecimento dos sentimentos, a ausência dos desejos e um esforço que pouco à pouco torna as pessoas menos humanas.

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Agridoce, a sonoridade do álbum é basicamente o elemento responsável por tirar o tom de tristeza que as letras impõem. Tomado por riffs de guitarra e encaixes acelerados, o disco exibe aproximações com o trabalho de bandas que têm alcançado sucesso com a mistura entre rock e arranjos sutis, algo próximo do que Ludov e Vivendo do Ócio apresentam. É justamente essa relação que impulsiona a presença de Jajá Cardoso, vocalista do grupo baiano e presença essencial em Homem de Lata. Outras parcerias surgem ainda pelo disco, como em Anjo Exterminador com a cantora Andreia Dias – retribuição à parceria da banda no trabalho solo da artista, Pelos Trópicos -, além de Andreia Martins, da extinta Canto dos Malditos na Terra do Nunca, que ajuda na composição de Voltar ao Começo e Em Nome do Amor. Sobra ainda para Júlio Andrade (The Baggios) marcar presença na autointitulada faixa de abertura.

Curioso observar que não apenas o instrumental e os versos parecem marcar a presente fase da banda. A arte do álbum externaliza algumas das sensações que parecem ter impressionado o grupo durante a curta estadia em São Paulo. O amor não se ausenta da cidade, ou torna seus habitantes imunes aos sentimentos, mas talvez se faz escondido em meio às tantas obrigações diárias a que chegam em ritmo cada vez mais intenso a cada um dos passantes. Os gigantes abraçados na capa do disco são uma esperança de que trazer o tema à superfície talvez seja suficiente para tirá-lo das esquinas, espremido entre intervalos de almoço.

Trabalhado no contraste entre as letras doces e a instrumentação acinzentada, com o novo álbum a banda encontra um claro ponto de transformação perto do que parecia transmitido com seguro no último disco. Alimentado por uma simplicidade natural, o registro se de deixa impregnar por uma série de referências poética talvez desgastadas, mas que encontram beleza e tradução – principalmente sentimental – nas mãos do grupo, que encontra em uma rápida visita à São Paulo as bases para todo o trabalho. Dessa forma Maiô nada mais é do que um simples disco sobre amor, tema de natureza banal em diversos aspectos, mas como provado aqui, nunca desnecessário.

Talma&Gadelha

Maiô (2013, Independente)

Nota: 7.5
Pra quem gosta de: Ludov, Vivendo do Ócio e Luiz Gadelha
Ouça: Em nome do amor, Saturno e Anjo Exterminador