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Disco: “Maravilhas da Vida Moderna”, Dingo Bells

Dingo Bells
Indie Rock/Alternative/Indie Pop
http://www.dingobells.com.br/

Quem rola a timeline do Facebook e bate o olho na imagem que estampa a capa de Maravilhas da Vida Moderna (2015, Independente), primeiro registro de estúdio da banda gaúcha Dingo Bells, talvez se espante com a sonoridade explorada no interior do trabalho. Longe do ambiente “cinza” reforçada na fotografia de Rodrigo Marroni – praticamente a capa de um álbum punk -, cada uma das composições que movimentam o disco apontam a construção do um som nitidamente pop, talvez sombrio em se tratando dos versos, mas não menos colorido.

Como o próprio título indica, Maravilhas da Vida Moderna utiliza de versos fáceis para reforçar tormentos típicos de um (jovem) adulto. Músicas ancoradas em conceitos existenciais (Dinossauros), maturidade (Mistério dos 30), a necessidade de conviver em sociedade (Eu Vim Passear) e até personagens (Funcionário do Mês) que cercam o universo irônico/realista do grupo – hoje composto por Rodrigo Fischmann (voz, bateria e percussão), Diogo Brochmann (Voz, guitarra e teclados) e Felipe Kautz (voz, baixo).

Cercado por diferentes colaboradores da cena de Porto Alegre – entre eles o produtor Gustavo Fruet (Chimarruts, Pública) e Felipe Zancaro (Apanhador Só) -, o debut está longe de ser encarado como um típico fragmento do “Rock Gaúcho”. Da abertura ao fechamento do disco, não é difícil perceber o movimento leve executado pela trio, sempre atento, desviando com naturalidade da sonoridade lançada por veteranos da década de 1980 (como Nenhum de Nós e Engenheiros do Hawaii), porém, ainda íntimos das melodias e canto sarcástico explorado há mais de uma década por artistas como Bidê ou Balde e Wonkavision.

De fato, a explícita relação do coletivo com a música (pop) lançada no começo dos anos 2000 está longe de parecer uma “coincidência”. Mesmo entregue ao público como o primeiro álbum oficial do grupo gaúcho, Maravilhas da Vida Moderna ultrapassa com naturalidade os limites do presente cercado temporal, crescendo e dialogando como o produto final da longa trajetória da banda, em atuação há mais de uma década.   

Tamanha maturidade e enorme carga de referências em nenhum momento interfere no caráter jovial que preenche a obra. Brincando com o pop na medida certa, marca que lentamente ultrapassa os limites dos versos e cresce de forma expressiva nos arranjos (elétricos e acústicos) do trabalho, o grupo sustenta com naturalidade um catálogo de 11 faixas  essencialmente pegajosas. Músicas de apelo (quase) imediato como Olhos Fechados Pro Azar e Eu vi Passar, tão íntimas do som plástico de Lulu Santos na década de 1980, como das mesmas melodias descomplicadas assumidas pela também conterrânea Video Hits em Registro Sonoro Oficial (2001).

Em um estrutura marcada pelo continuo equilíbrio dos versos e arranjos, cada uma das faixas carrega no bom humor uma ferramenta de rápida comunicação com o público. São versos que mesmo amargurados, como em Dinossauro – “Já nem lembro como era no começo / Quando sabia tudo o que me esperava / E acreditava ser alguém especial”, em nenhum momento tendem ao exagero típico de obras do gênero. Fragmentos líricos que poderiam ser extraídos de uma simples conversa rápida pelo WhatsApp ou mesmo pinçados de uma noite de lamúrias alcoólicas em mesa de bar.

Maravilhas da Vida Moderna (2015, Independete)

Nota: 8.4
Para quem gosta de: Apanhador Só, Selton e Nevilton
Ouça: Eu Vi Passar, Olhos Fechados Pro Azar e Dinossauro

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2 thoughts on “Disco: “Maravilhas da Vida Moderna”, Dingo Bells

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