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Disco: “Melting Sun”, Lantlôs

Lantlôs
Black Metal/Post-Rock/Shoegaze
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Por: Cleber Facchi

Lantlôs

A música do Lantlôs nunca encontrou conforto em um gênero ou tendência específica. Desde a estreia do autointitulado primeiro disco, em 2008, a sonoridade lançada por Markus Siegenhort e seus mutáveis companheiros de banda atravessou o Black Metal, andou de mãos dadas com o Pós-Rock e ainda flertou com o Shoegaze testado no começo da década de 1990. Longe de encontrar conforto, o grupo germânico assume em Melting Sun (2014, Prophecy), mais novo álbum de estúdio, uma obra de mutação, utilizando da mesma experiência volátil como um direcionamento básico para as canções.

Lançado em um momento de transformação para a banda, o disco é o primeiro trabalho em quatro anos sem a presença de Neige como vocalista. Líder do grupo francês Alcest (além de uma pequena variedade de outras bandas do gênero), o responsável pelas vozes em Neon (2010) e Agape (2011) abre espaço para que o próprio Siegenhort assuma um maior posicionamento dentro do grupo. Além dos vocais, é dele a responsabilidade por boa parte dos arranjos, batidas, ruídos e efeitos da obra, que mesmo particular, está longe de ser encarado como um disco recluso.

Ao concentrar todos os esforços do álbum em cima dele si próprio, Siegenhort curiosamente expande os limites do registro, que mesmo íntimo da estética lançada nos outros discos, encontra agora todo um novo catálogo de possibilidades. Desenvolvido a partir de seis atos extensos, Melting Sun é uma obra que exige tempo até se revelar por completo, porém, bastam os minutos iniciais de Azure Chimes e seus acordes lentos para que o disco comece a “surtir efeito”.

Como boa parte dos álbuns típicos do Pós-Rock – principalmente o Mogwai dos anos 2000 -, o presente disco do Lantlôs é uma obra que conduz o ouvinte, e não o contrário. Respeitar o andamento arrastado da obra é ser presenteado por solos distorcidos, vozes esparsas e uma doce emanação vocal que beira a hipnose. É difícil estabelecer um ponto exato onde entram os vocais, a guitarra acelera ou a bateria levanta um imenso muro instrumental. Tudo se desenvolve em uma medida de tempo particular, fazendo com que o ouvinte flutue durante todo o tempo entre o real e o onírico.

Extenso e interessado em viver uma série de experiências isoladas, Melting Sun está longe de ecoar como uma obra demasiado etérea e “experimental”. Não é preciso ir além da segunda faixa do disco, Cherry Quartz, para perceber como Siegenhort consegue estabelecer uma série de ordens precisas para o desenvolvimento do disco. Batidas firmes, vocais ocasionais e solos mágicos: nada ultrapassa um limite evidente pelo disco, coerente do primeiro ao último ato denso proclamado pelo multi-instrumentista.

Longe de seguir a trilha de artistas interessados em repetir ou apenas imitar a sonoridade do Deafheaven em Sunbather (2013), Melting Sun é uma obra que caminha com os próprios pés. Mesmo o rótulo de “Atmospheric Black Metal” utilizado para definir o álbum está longe de caracterizar a verdadeira fase da banda. Em um estágio aproximado do Slowdive em Souvlaki (1993) ou o Dream Pop “progressivo” do Mew, o novo álbum do Lantlôs é uma obra feita para que Siegenhort possa testar os limites do projeto. Onde a banda vai parar? Isso ainda é uma pergunta sem resposta, mas o começo já se revela como um belo convite.

Lantlôs

Melting Sun (2014, Prophecy)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Alcest, Deafheaven e Heretoir
Ouça: Cherry Quartz, Aquamarine Towers e Golden Mind

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