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Disco: “Meshes of Voice”, Susanna & Jenny Hval

Susanna / Jenny Hval
Experimental/Baroque Pop/Alternative
http://susannamagical.com/
http://jennyhval.com/

Por: Cleber Facchi

Quem acompanha a obra de Jenny Hval desde a estreia, com To Sing You Apple Trees (2006), ou a partir de Viscera (2011), quando descoberta por grande parte da imprensa internacional, sabe que o “óbvio” nunca fez parte do trabalho da norueguesa. Mesmo que tenha explorado um som muito mais “pop” em Innocence is Kinky, de 2013, o caráter provocativo – lírico ou sonoro – se mantém o mesmo, expandido e reforçado de maneira complexa a cada novo disco.

Imersa em um cenário tão perturbador quanto o exaltado nos primeiros discos, Hval aparece agora acompanhada pela musicista Susanna Wallumrød. Representante da mesma cena experimental que borbulha em solo norueguês, a artista, também integrante do Magical Orchestra, não apenas partilha dos mesmos conceitos estéticos da conterrânea, como parece estimular o som de Hval a encontrar um novo estágio. Um constante diálogo obscuro que dita as regras e distorce as canções de Meshes of Voice (2014, SusannaSonata), o primeiro álbum em parceria da dupla.

Bloco denso de ruídos, pianos e bases instrumentais sempre aproximadas, o registro parece sobreviver da explícita formatação oculta de suas 15 canções. Diferente da parcial abertura iniciada por Hval em Mephisto In The Water ou mesmo na faixa-título do último álbum, nada ecoa de maneira acessível no decorrer do presente trabalho. Mesmo Susanna, responsável por boas melodias em Wild Dog (2012) e The Forester (2013), parece ressaltar apenas a atmosfera fúnebre que recheia todo o álbum.

Ainda que próximas, inclinadas ao desenvolvimento de um mesmo ambiente musical, tanto Hval como Wallumrød assumem direções opostas e bases musicalmente isoladas ao longo de todo o percurso da obra. Enquanto Hval mantém firme a relação com o presente, confessando o próprio apego ao trabalho de Björk – ouça Medusa -, além de nomes como Joanna Newsom e Julia Holter, a parceira estaciona no passado. De formação erudita, Wallumrød explora desde temas barrocos ao uso de pianos soturnos, esbarrando com naturalidade na obra de Leonard Cohen e Nico, algumas de suas influências confessas.

Longe de parecer uma surpresa, a ferramenta utilizada pela dupla para condensar esse amplo acervo é justamente a “malha de vozes” que aparece no título do álbum. Dentro de um mesmo posicionamento, Hval e Wallumrød não custam a inverter papeis e dividir os próprios versos, logo se transformando em um único personagem no decorrer da obra. Uma espécie de guia para o labirinto sombrio que logo se revela infinito na inaugural Droplet.

Como a experiência de ser trancado em um quarto escuro, repleto de móveis e peças frágeis, Meshes of Voice é um disco a ser desvendado. Cabe ao ouvinte tatear as paredes e identificar as peças espalhadas pela dupla. Algumas delas, formas sutis e facilmente identificáveis; já outras, entalhadas em texturas e curvas estranhas, capazes de perturbar em suas dimensões.

Meshes of Voice (2014, SusannaSonata)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Björk, Julia Holter e Grouper
Ouça: I Have Walked This Body, Black Lake e Milk Pleasures

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