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Disco: “Mess”, Liars

Liars
Electronic/Experimental/Alternative
http://liarsliarsliars.com/

Por: Cleber Facchi

Liars

Previsibilidade é uma palavra que está longe de rechear o dicionário da banda nova-iorquina Liars. Há mais de uma década em constante transformação sonora, o projeto comandado por Angus Andrew, Aaron Hemphill e Julian Gross encontra no recém-lançado Mess (2014, Mute) um novo cenário de possibilidades. Quebrando a herança sombria do antecessor WIXIW, de 2012, o novo projeto abraça a eletrônica em um sentido naturalmente experimental, mas também de forte configuração “pop”. Um salto que encontra as pistas, mas consegue ir além de um mero registro para as massas.

Fazendo valer o próprio título – em português, “bagunça” -, o disco usa do cruzamento de ideias como um palco para possíveis novidades. São 11 composições ascendentes que comprovam (mais uma vez) a versatilidade de seus autores. Tendo na fluidez eletrônica um princípio, o trio investe com firmeza na colagem de arranjos e diferentes suplementos instrumentais, um sentido de continuação quando próximo do álbum de 2012, porém, uma obra que busca aproximar a banda de todo um novo conjunto de experiências.

Quem conheceu a trio no começo dos anos 2000, ou mais especificamente a partir de Drum’s Not Dead, registro que apresentou oficialmente o grupo em 2006, talvez encontre no novo disco uma obra de completo afastamento. Esqueça as guitarras sujas, o desespero e o flerte constante com o Art Rock. Cada vez mais distante do noise invasivo que acompanhou a banda até o lançamento de Sisterworld, em 2010, o novo álbum busca se aproximar com acerto de uma massa de abertos ao público médio. Pelo menos durante a primeira metade do trabalho.

Enquanto Mask Maker, Vox Tuned D.E.D. e I’m No Gold, no começo do álbum, abraçam com certa dose de nostalgia o Dance Punk dos anos 2000, a partir de Darkslide os rumos se alteram. Sétima faixa do disco, a canção encontra na colagem de sons eletrônicos e completo experimento um efeito de expansão para a obra. Uma sensação de que quanto mais o trio se concentra nas experiências sintéticas da obra, mais o labirinto de sons por eles projetados se amplia. Se há uma década as guitarras guiavam as experiências do grupo, hoje são os teclados, laptops e pequenas colagens minimalistas que apontam a direção.

Em um sentido de quebra ao ambiente homogêneo lançado com WIXIW, cada música do álbum encontra na variedade uma espécie de conforto. São década de referências eletrônicas (e não só elas) aglutinadas dentro de cada música. Exemplo disso está na formação de Dress Walker, uma música que vai do Krautrock ao Trip-Hop, passando pela IDM e o Pós-Punk em um efeito de continua incorporação. Perpetual Village, com seus mais de nove minutos de duração, é outra que parte do mesmo princípio “investigativo”. Mesmo as faixas mais “comerciais” do disco assumem um enquadramento similar, algo que I’m No Gold divide em uma atmosfera dançante e provocativa.

Excêntrico e acessível em uma medida rara, Mess é ao mesmo tempo um obra que resgata a complexidade do Liars sem necessariamente fugir dos novos ouvintes. Mesmo utilizando da discografia banda como um plano de fundo, o álbum se apoia em uma série de conceitos inéditos, predisposição que ocupa com acerto desde as batidas (a serem observadas isoladamente), até os versos, projetados como verdadeiras bases instrumentais. Se a capa do disco entrega um ventilador em baixa rotação, o interior revela um verdadeiro ciclone de possibilidades – para o Liars, ou para o ouvinte.

Liars

Mess (2014, Mute)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Health, No Age e Fuck Buttons
Ouça: Mask Maker, Pro Anti Anti e Darkslide