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Disco: “Moment Bends”, Architecture In Helsinki

Architecture In Helsinki
Australian/Indie Pop/Electronic
http://www.myspace.com/aihmusic

 

Por: Cleber Facchi

Quando em meados dos anos 2000 bandas fomentadas por uma sonoridade pop orquestrada passaram a receber uma boa atenção dos veículos especializados, fazer um som recheado de nuances detalhadas e coloridas parecia ser a única salvação para a música naquele momento. Diversos países “enviaram” seus representantes do indie pop e a Austrália por sua vez não poderia ficar de fora, mandando a big band de Fitzroy o Architecture in Helsinki. Após dez anos de carreira, alguns bons discos e outros nem tantos o agora quinteto volta com Moment Bends (2011).

Depois do fracasso em Places Like This (2007) – não que o álbum fosse ruim, apenas era menor quando comparado aos dois primeiros (e excelentes) discos da banda – a necessidade de fazer um som mais coerente e dinâmico era necessária, feito que se realiza com este recente registro. De cara é visível o quanto a banda hoje formada por Cameron Bird, Gus Franklin, Jamie Mildren, Sam Perry e Kellie Sutherland se aproximam da música eletrônica, dando uma repaginada em seu som.

Se nos primeiros discos dos australianos as comparações com bandas como Of Montreal e The Unicorns eram inevitáveis, agora é possível afirmar o quanto o grupo encontrou um ponto central em sua estrutura sonora. As boas sequências de sintetizadores, a tematização alegre e alguns leves toques de psicodelia (embora o grupo mantenha o tempo todo os pés no chão) fazem com que o trabalho cresça e cada nova canção, dividindo o álbum em vários momentos, evitando que tudo se concentre ou na abertura ou no término do disco.

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Vê-se que em Moment Bends a banda se orienta de maneira bem menos orquestrada, quase ausente de guitarras e de certa forma bem mais dançante. Quando lançaram In Case We Die em 2005 o grupo parecia como uma sincera continuação de diversos trabalhos que já figuravam por aí, principalmente no cenário norte-americano. Neste quarto disco a banda não somente supera o anterior (e praticamente desprezado) terceiro álbum, como presenteiam o público com uma sequência de ótimas composições, sempre se aproximando de um clima festivo, eletrônico e mais urbano.

A abertura levemente entristecida com Desert Island esconde na verdade uma sequência de faxias divertidas e que se complementos por minuciosos detalhes. Tanto Escapee como Contact High (primeiro single do novo disco) aproximam o quinteto de uma linguagem sonora bem próxima da proposta pelo I’m From Barcelona em seus discos, embora sempre de maneira mais “sintética”. Se antes eram os elementos orgânicos que tomavam conta dos registros do grupo, agora é a aproximação com elementos quase futurísticos, como se percebe em YR Go To e Denial Style, que acabam aproximando o grupo de uma estética mais synthpop.

O recente disco pode causar certa ruptura entre os antigos fãs da banda, porém evoluir é necessário e toda essa transformação do grupo australiano é feita de maneira coerente ao longo do registro. Moment Bends faz uso do mesmo tipo de som, ritmo e fluência dos antigos trabalhos da banda, apenas mudando a forma como são destilados todos estes elementos. Quem ganha sem dúvidas é o público, que tem em mais de quarenta minutos uma sequência bem proveitosa de sons.

 

Moment Bends (2011)

 

Nota: 8.3
Para quem gosta de: I’m From Barcelona, Of Montreal e The Unicorns
Ouça: Contact High

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