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Disco: “Music Complete”, New Order

New Order
Electronic/Synthpop/Dance-Punk
http://www.neworderonline.com/

O tempo só favoreceu o trabalho do New Order. Diferente de outros veteranos da cena inglesa, caso de Gang Of Four e Depeche Mode, o grupo de Manchester pode até manter firme a relação com a música explorada no começo dos anos 1980, entretanto, parece longe de sufocar em meio a temas e fórmulas repetitivas. Prova disso está no recém-lançado Music Complete (2015, Mute), décimo registro de inéditas e obra que confirma a jovialidade da banda britânica.

Com pouco mais de 60 minutos de duração, o álbum produzido em parceria com Stuart Price (Madonna, Everything Everything) e Tom Rowlands (The Chemical Brothers) parece seguir a trilha assumida pelo grupo desde a retomada das atividades no início dos anos 2000. Um meio termo entre a eletrônica aplicada no meio da década de 1980 e o jogo de guitarras rápidas, tratadas de forma dançante em obras como Get Ready (2001) e Waiting for the Sirens’ Call (2005).

Livre da composição instável que marca o antecessor Lost Sirens, de 2013, com o presente trabalho, Bernard Sumner e os parceiros Stephen Morris, Gillian Gilbert, Phil Cunningham e Tom Chapman mantém firme a euforia de cada canção até o último segundo. Salve exceções, como a arrastada Stray Dog, climática (e falha) parceria com Iggy Pop, difícil escapar da armadilha melódica criada pelo grupo, mais uma vez responsável por um rico catálogo de músicas dançantes/comerciais.

Logo na abertura do trabalho, um misto de retrospecto e atualização da própria discografia da banda. Difícil não pensar em faixas como Restless, Singularity e Plastic como composições possíveis dentro dos primeiros registros do grupo britânico. Uma constante sensação de que a mesma sonoridade explorada em Age Of Consent foi ampliada e dissolvida em todo o primeiro ato do disco. Guitarras, batidas, sintetizadores e vozes pegajosas, há tempos o New Order não parecia tão divertido quanto em Music Complete.

Ainda que a interferência direta de convidados como La Roux e Brandon Flowers (The Killers) pareça ser a resposta para o sucesso do trabalho, da abertura ao fechamento do disco, o acerto de Music Complete se concentra nas mãos do New Order. Prova disso está na construção de músicas como Nothing But a Fool, um perfeito mosaico de referências que passeia pela obra de David Bowie, abraça a música negra dos anos 1970 e ainda resgata uma série de elementos típicos da banda britânica.

Separado em duas metades distintas, Music Complete sustenta no primeiro ato a porção mais acelerada e dançante da obra – caso de faixas como Restless e Plastic -, deixando para a segunda metade a construção de peças extensas, marcadas pelo romantismo dos versos – Nothing But a Fool, Superheated. Interessante notar que nas duas porções a essência eletrônica do grupo parece reformulada, favorecendo a construção de faixas que abraçam com sutileza a música pop. Uma escolha que talvez desagrade os antigos seguidores do grupo, mas que acaba servindo de estímulo para o nascimento de um trabalho que permanece dinâmico e leve até a última nota.

Music Complete (2015, Mute)

Nota: 7.7
Para quem gosta de:
Ouça: Restless, Nothing But a Fool e Plastic

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