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Disco: “Música Crocante”, Autoramas

Autoramas
Brazilian/Alternative/Rock
http://autoramas.uol.com.br/

 

Por: Cleber Facchi


O que fazer depois de alcançada a maturidade e com ela o suposto melhor trabalho da carreira de uma banda? Ora, faça como o Autoramas e se reinvente. Depois de apresentar em meados de 2007 o memorável Teletransporte, provavelmente o melhor e mais adulto trabalho da banda carioca, alguns questionamentos sobre o que poderia ser feito a partir dali foram lançados. Entretanto, quem bem conhece a carreira do grupo (hoje) formado por Gabriel Thomaz (guitarra e vocal), Bacalhau (bateria) e Flávia Couri (baixo) sabe que surpresas são sempre possíveis em cada novo registro da banda.

Quem chegou a pensar que após a recente empreitada através de uma sonoridade acústica – como parte de um especial feito para a Mtv brasileira – pudesse de alguma forma afetar o trabalho da trinca carioca, verá logo na faixa de abertura do recente Música Crocante (2011, Coqueiro Verde) que o peso e a sonoridade elétrica do grupo ainda estão lá. Em seu quinto álbum de estúdio a banda não apenas revive suas antigas experiências musicais, como proporciona uma soma de sons carregados de peso e certa dose de agressividade.

Se antes a Jovem Guarda e alguns toques de surf music pareciam delimitar os últimos lançamentos do grupo, agora estes mesmos elementos são praticamente arremessados para o fundo das composições, com o trio não poupando no peso e nos ruídos de seus instrumentos e fazendo do recente disco o projeto mais intenso da vasta carreira do Autoramas. Entre doses imensuráveis de guitarras distorcidas e o sequências do característico baixo ruidoso que delimita a sonoridade da banda, somos submetidos a uma série de 11 composições poderosas (13 contabilizando as duas faixas bônus), faixas que praticamente corrompem o rótulo frágil e pegajoso do trabalho.

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Mesmo nos momentos mais melódicos do álbum – exemplificados facilmente por composições como Superficial e Domina –, a banda em nenhum momento abandona o toque “agressivo” do registro, poluindo cada uma das faixas presentes com uma densa camada de cacofonias instrumentais que quase beiram o noise rock. Se a instrumentação suja, porém, entusiasmada é o que define e dá sabor ao recente registro dos cariocas, então os versos são responsáveis por garantir um tempero especial ao trabalho.

O resultado dessa soma entre um conjunto de versos harmônicos com uma intensificada camada de elementos distorcidos acaba por materializar exatamente o que o trio propõe logo no título do álbum. É como se por traz dessa camada densa e crocante a banda reservasse um sabor musical único, doce e simplesmente viciante. Montado para fisgar (ou viciar) o ouvinte logo em uma primeira audição, o álbum concentra desde faixas carregadas de agressividade e aceleração (Tudo Bem) até composições mais suavizadas, como a melancólica Sem Privilégios, que praticamente abandona por alguns segundos a camada crocante das demais faixas do álbum.

Produzido através de um sistema de financiamento colaborativo, onde os fãs ajudaram a alavancar dinheiro para a construção do disco, Música Crocante surge apenas para reforçar o caráter do Autoramas como um dos maiores exemplares do rock nacional. O álbum não apenas confirma que passada mais de uma década desde a formação da banda ela ainda se manifesta como uma das mais intensas expoentes da nossa música, como também reforça a figura de uma tríade de artistas joviais, hábeis compositores e músicos capazes de nos surpreender a cada nova composição arremessada ao longo do álbum.

 

Música Crocante (2011, Coqueiro Verde)

 

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Walverdes, Nevilton e Bidê ou Balde
Ouça: Tudo Bem