Disco: “Next Thing”, Frankie Cosmos

Categories Melhores Discos, Resenhas

Artista: Frankie Cosmos
Gênero: Indie Rock, Alternative, Indie Pop
Acesse: https://ingridsuperstar.bandcamp.com/

 

Não é necessário muito esforço para perceber o quão ativa é a cantora e compositora nova-iorquina Greta Simone Kline. Em meia década de atuação, são mais de 20 discos lançados de forma independente como Frankie Cosmos, outra dezena de obras apresentadas sob o título de Ingrid Superstar, isso sem contar na infinidade de parcerias em estúdio, apresentações em diferentes festivais norte-americanos e colaborações com outros artistas locais – principalmente o Porches, projeto comandado pelo namorado e parceiro de composição Aaron Maine.

Em Next Thing (2016, Bayonet), mais recente registro de inéditas como Frankie Cosmos, uma madura continuação do som produzido pela musicista desde 2009, quando deu início à carreira. Trata-se de uma extensão melódica do mesmo material apresentado anteriormente em Zentropy, de 2014, além do EP Fit Me In, lançado no último ano. Versos e arranjos econômicos, mas que acabam ocultando (ou revelando) um mundo de detalhes que aprecem íntimos apenas da obra de Kline.

Assim como no trabalho apresentado há dois anos, cada faixa do registro se projeta como um fragmento de temas e acontecimentos cotidianos. Um catálogo de letras marcadas por um curioso existencialismo pós-adolescente e pensamentos aleatórios. “Quando você é jovem / Você é muito jovem / Quando você é velho / Você é muito velho para algumas ideias”, canta a jovem artista de apenas 22 anos em What If, uma delicada síntese da mente preocupada (e ao mesmo tempo divertida) da artista.

São versos essencialmente simples, curtos, o que acaba contribuindo para a rápida condução do trabalho. Mesmo recheado com 15 composições inéditas, Next Thing não alcança os 30 minutos de duração, uma espécie de marca dentro da extensa discografia da cantora. Em geral, Cosmos se apoia e letras semi-declamadas, como se estivesse descrevendo cenas e acontecimentos particulares (Sinister, If I had a dog), ou mesmo versos marcados por sentimentos honestos (Fool, Too Dark, On The Lips), sempre entristecidos.

Tão simples quanto a estrutura projetada para os versos são os arranjos que detalham o disco. Assim como em Zentropy, a mesma solução tímida de guitarras que vai da faixa de abertura, Floated In, e segue até a derradeira O Dreaded C Town. A principal diferença em relação ao último disco talvez seja a maior interferência dos sintetizadores assumidos pelos parceiros de banda – David Maine e Gabrielle Smith. Um som que muito se aproxima dos primeiros trabalhos do Belle and Sebastian e outros representantes do Indie Pop.

Com um pé na década de 1990 e outro em um universo completamente particular, Kline lentamente se distancia do mesmo som produzido por outras cantoras da cena “indie” norte-americana. Embora íntima do material produzido por Waxahatchee, Girlpool e demais musicistas estadunidenses que abraçaram temas e conceitos lançados há duas décadas, Frankie Cosmos parte em busca de uma linguagem essencialmente sutil, acessível, postura que garante uma audição segura toda a construção de Next Thing.

 

Next Thing (2016, Bayonet)

Nota: 8.3
Para quem gosta de: Girlpool, Waxahatchee e Alvvays
Ouça: If a had a dog, Sinister e Is It Possible / Sleep Song

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Criador do Miojo Indie, trabalhou como coordenador de Mídias Sociais na Editora Abril, editor de entretenimento e cultura no Huffington Post e hoje é editor de conteúdo no Itaú. Apaixonado por GIFs de gatinhos, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil como presente.

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