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Disco: “Nine Types of Light”, TV On The Radio

TV On The Radio
Experimental/Alternative/Indie
http://www.myspace.com/tvotr

Por: Cleber Facchi

Férias, algo que deveria ser difundido como elemento fundamental para todas ou pelo menos a maioria das bandas. Logo após o lançamento do excelente Dear Science (2008) – de longe um dos discos mais importantes dos anos 2000 – o quinteto nova-iorquino TV On The Radio partiu para um merecido “descanso”. Do bem aproveitado hiato, Kyp Malone e David Andrew Sitek lançaram seus trabalhos solos, quanto os outros integrantes seguiram com projetos também ligados a área musical. Descansados e ativos, o quinteto volta para mais um belo registro, mostrando que ainda tem muitos louros a serem angariados.

Embora o cerne do grupo – que fica completo com Tunde Adebimpe, Jaleel Bunton e Gerard Smith – seja a soul music da década de 1970, outros elementos do mesmo período acabam girando em torno dessa base. Dos discos de David Bowie da fase Berlin, alguns toques da música experimental que fluía durante o período, vagos ecos de Fela Kuti, além de pequenas inserções Miles Davis e os princípios da new wave, toda essa monumental coleção de sons e estilos é o que acrescenta a grande massa preparada pela banda.

Esse número externo de variantes sonoras acaba não somente se evidenciando nas composições do quinteto, como a cada disco funciona como o combustível primordial das criações. Em Desperate Youth, Blood thirsty Babes (2004) o grupo prova do completo experimentalismo, Retourn To Cookie Mountain (2006) por sua vez solta a soul music acompanhada de toques de uma música eletrônica melancólica, enquanto em Dear Science o grupo amarra tanto sons do soul, passando pelos princípios do hip-hop até o experimentalismo pop. Para o recente Nine Types of Light (2011) o grupo se fecha em um único gênero: o rock.

Mas calma lá, não vá esperando que Tunde Adebimpe e seus parceiros entreguem uma guitarrada atrás da outra, como se fosse um disco calcado no uso de acordes rápidos e rasteiros. Assim como nos outros discos, os sons do TV on The Radio e a forma como tais fenômenos acústicos são emanados funcionam de forma única, como se fossem filtrados, absorvidos e reconvertidos dentro de um estado próprio só da banda. A diferença é que deste para os outros álbuns o grupo trabalha de maneira mais versátil e direta, fazendo com que não apenas as guitarras, mas todos os demais instrumentos funcionem de maneira mais transparente e límpida.

A forma como ocorrem essas mudanças tornam-se evidentes logo na abertura do trabalho. Second Song (com Adebimpe lembrando de leve Mett Berninger do The National) chega marcada por um baixo gingado, uma bateria bem desenvolvida e guitarras levemente dançantes, sempre tendo como um dos pilares os falsetes do vocalista. Além da tríade básica de instrumentos o uso pontual de teclados, pianos e uma galeria de instrumentos de sopro fazem com que a faixa cresça no embarcando em um ambiente dançante, onde cada instrumento aparece de forma distinta, diferente das grossas massas de som do lançamento anterior.

Outro momento em que fica fácil a percepção das tonalidades do disco ocorre na belíssima You. As guitarras costuradas por sintetizadores bem trabalhados vão dando as bases para uma letra confessional com direito ao vocalista dizendo levemente emocionado “Você é a única que eu amei”. Como todo disco dos nova-iorquinos há sempre aquela faixa feita com o intuito de emocionar. Se anteriormente Province e Family Tree cumpriam com perfeição esse papel, agora é a vez de Killer Crane e Will Do assumirem tal responsabilidade, em dois momentos onde a banda deixa que sua sonoridade transborde e comova.

Uma coisa é certa: Nine Types of Light é o disco com a maior quantidade de hits do grupo. De cara o grupo manda a suingada Second Song, mais a frente a emocionada e romântica You, passando um pouco chega Will Do (que além de tudo ganhou um belo clipe, à altura de sua suntuosidade). Acha pouco? Então que tal a explosiva Repetition, com o grupo soltando uma sequência de batidas radiantes, boas guitarras no melhor estilo indie rock e os versos extasiantes da faixa. E se você pensa que a última faixa do disco seria um suave registro melancólico surpreenda-se, afinal, a mescla de rock e hip-hop é o que fomentam Caffeinated Consciousness.

É fato que esse novo disco não dispõe da mesma unidade presente em Dear Science ou não se organize dentro de uma temática única, como ocorre em Retourn To Cookie Mountain – embora traga o rock como elemento básico – assim, cada faixa parece pensada quase que individualmente. Entretanto, a maneira despojada e bem mais solta que os lançamentos anteriores, sem contar no total aspecto pop dão ao disco e a carreira da banda um ar revigorado. O álbum se representa coerentemente pela capa que o ilustra,  diferentes focos para uma mesma luz, diferentes tipos de som para uma mesma banda. As férias, definitivamente fizeram bem ao TV on The Radio.

Nine Types Of Light (2011)

Nota: 8.8
Para quem gosta de: Rain Machine, Maximum Balloon e Menomena
Ouça: Will Do


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