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Disco: “No Meu Peito”, Luneta Mágica

Luneta Mágica
Indie/Alternative/Indie Pop
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“Experimental”, “Alternativo”, “Eletrônico”, “Indie” e “Folk”. Esses são alguns dos rótulos escolhidos pelos integrantes da Luneta Mágica para definir a sonoridade produzida pela banda. Curioso perceber no segundo registro de inéditas do coletivo amazonense, No Meu Peito (2015, Invern Records), uma obra esquiva de toda essa pluralidade “restritiva” de conceitos. Como uma fuga de possíveis experimentos e bloqueios estéticos lançados no inicial Amanhã vai ser o melhor dia da sua vida (2012), um caminho marcado pela leveza orienta de forma positiva os passos e referências do hoje renovado quarteto de Manaus.

Por vezes íntimo do pop “clássico”, o novo trabalho de Erick Omena, Pablo Araújo, Eron Oliveira, Isaac Guerreiro e Jefferson Santos borbulha em meio a bases melódicas, vocais tratados de forma polida e versos que se espalham descomplicados, ocupando sem esforços a mente do ouvinte. Em um explícito exercício de maturidade, toda a soma de argumentos complexos lançados no álbum de 2012 é logo derrubada na primeira composição, resultando em uma corredeira de emanações acolhedoras, acessíveis aos mais variados públicos. Beatles e The Beach Boys surgem de forma quase instintiva, como pilares, entretanto, é na formação de som próprio da Luneta Mágica que reside o grande acerto da obra.

Inaugurado pela timidez da reclusa faixa-título, No Meu Peito logo explode em cores, acordes e vozes marcadas pela euforia. Basta um passeio pela efetiva trinca de abertura da obra – Lulu, Acima das Nuvens e Mônica – para imediatamente cair na arapuca melódica que o quarteto reforça até o último ato do trabalho. Canções capazes de resgatar o hoje esquecido conceito de “música radiofônica”, preferência que involuntariamente mergulha no mesmo ambiente acessível de gigantes como Skank – em Maquinarama (2000) e (2001) Cosmotron (2003) – e Los Hermanos – Ventura (2003) -, mas sem necessariamente interferir na construção de uma sonoridade autoral.

Rico catálogo de hits, mesmo abastecida pelo pop e melodias radiantes, No Meu Peito é uma obra que assume dois caminhos distintos. Na primeira metade do registro, uma coleção de versos sentimentais e arranjos ensolarados, como um diálogo leve da banda com toda uma nova frente de ouvintes. A partir de Preciso, sexta composição da obra, um completo deslocamento desse mesmo propósito. A julgar pelo uso de vocais e bases “sujas”, uma extensão simplificada do arsenal temático lançado no disco anterior. Conceitos que mergulham na psicodelia (Mantra), remontam velhas bases eletrônicas (Sem Perceber) e, pela primeira vez, refletem de forma provocativa o rótulo de obra “experimental” que a banda defende.

A diferença em relação ao cardápio de faixas do álbum anterior está na forma como os versos chegam límpidos, como um diálogo, emanando tormentos e confissões de pura melancolia mesmo nas composições mais herméticas do trabalho. Sussurros que flutuam entre a tristeza típica de um romântico de coração partido e personagens caricatos, talvez amigos da própria banda, porém indivíduos “adaptados” ao cotidiano de qualquer ouvinte. Parte desse expressivo estágio de leveza e limpidez que caracteriza a obra está na nítida interferência de Fernando Sanchez (Marcelo Camelo, Tulipa Ruiz), engenheiro responsável pela masterização do trabalho, além de Beto Montrezol, produtor local que cuidou da mixagem das canções, distanciando o quarteto do som talvez “enevoado” do disco anterior.

Livre da construção onírica (Astronauta) e nostálgica (Largo São Sebastião) que cerca todo o primeiro álbum da banda, No Meu Peito é um disco em que o quarteto amazonense mantém os dois pés no chão, cantando sobre temas ainda particulares – introspectivos ou sorridentes -, porém, atuais, capazes de transformar em música experiências íntimas de qualquer ouvinte.

No Meu Peito (2015, Invern Records)

Nota: 8.5
Para quem gosta de: Mezatrio, Vanguart e Mombojó
Ouça: Acima das Nuvens, Mônica e Tua Presença

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