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Disco: “Nocturnes”, Uh Huh Her

Uh Uhu Her
Indie/Pop/Female Vocalists
http://www.myspace.com/uhhuhhermusic

 

Por: Fernanda Blammer

Tudo que o primeiro trabalho da dupla Uh Uhu Her trouxe como seus erros, o EP Black and Blue, lançado em abril deste ano, conseguiu converter em acertos. O pop vigoroso que se estabelece em cada uma das seis faixas do pequeno registro supera facilmente todas as 11 canções do razoável Common Reaction, de 2008, um trabalho que embora não exagerado acabou ocultando alguns grandes hits, algo que a banda fez questão de mostrar quando apresentou seu minúsculo, porém eficaz EP. Em busca do mesmo resultado, o duo chega agora com seu segundo disco oficial, unindo pop e doses de eletrônica em uma mesma medida.

Sob o nome de Nocturnes (2011, Plaid), o novo álbum da dupla Leisha Hailey e Camila Grey transborda o mesmo elctropop feminino de outrora, temperando tudo com uma carga visível de guitarras no melhor estilo PJ Harvey, fazendo mais do que jus ao título do projeto. Menos bobinho que o resultado proposto em seu trabalho de estréia, o duo vindo de Los Angeles parece finalmente ter se encontrado, fazendo nascer um disco mais sólido e capaz de agradar do princípio ao fim.

Para a abertura do disco é a simplicidade de Another Case que acaba se evidenciando. O cruzamento entre uma sonoridade instrumental orgânica e toques de sintetizadores ligam o registro diretamente ao anterior trabalho da banda, fazendo com que o recente disco pareça continuar exatamente de onde a dupla parou. Pelo menos por enquanto. Logo na faixa seguinte, Disdain, o duo se deixa conduzir pela mesma energia do último EP, resultando em uma música mais leve, descontraída, um quase remix de alguma boa composição de Liz Phair.

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Oposto de boa parte de projetos do mesmo estilo, Nocturnes funciona de maneira suave, com a dupla esbanjando um pop não enjoativo e sincero, algo que Wake To Sleep, terceira música do álbum deixa transbordar. Diluída em pequenas doses, a composição entrelaça os vocais das duas integrantes, enquanto um trompete ecoa suave ao fundo, permitindo que as volumosas referências eletrônicas da dupla acabem por delimitar toda a canção, evitando que a faixa (e o disco) caiam nas mesmas repetições do passado.

Até quando investem em composições mais brandas o acerto é visível. Human Nature, por exemplo, acaba surgindo como uma versão madura do que poderiam apresentar as garotas do Spice Girls se hoje estivessem na ativa. A maneira graciosa como os vocais vão grudando na bateria ecoada e nos teclados sublimes acaba gerando um resultado de puro agrado, algo que ainda se repete ao final do disco, quando Time Stand Stills puxa o espectador para um momento de pura melancolia e delicadeza.

Mesmo com todos seus acertos – que incluem uma divertida passagem pela New Wave em Marstorm -, Nocturnes põe em dúvida o futuro da dupla, que terá de rever sua sonoridade em seus próximos lançamentos. Aumentar a participação das guitarras e se afastar dos ritmos eletrônicos seria uma boa possibilidade, afinal, dentro do recente disco isso é quase uma constante, ainda mais se observarmos o primeiro álbum das californianas. Por enquanto, o jeito é nos entregarmos ao seu romântico jogo de sons.

 

Nocturnes (2011, Plaid)

 

Nota: 7.0
Para quem gosta de: Tegan and Sara, The Murmurs e The Organ
Ouça: Marstorm e Human Nature

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