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Disco: “NOW + 4EVA”, Architecture in Helsinki

Architecture in Helsinki
Indie Pop/Alternative/Electronic
http://www.architectureinhelsinki.com/

Por: Cleber Facchi

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Outrora composta por um time de instrumentistas e cantores que recheavam os palcos durante as apresentações ao vivo, a australiana Architecture in Helsinki ficou mais “enxuta” com o passar dos anos, mas não menos interessante. Alimentado por um time curto de cinco integrantes, o grupo de Fitzroy deixa de lado a imposição épica dos arranjos, temas e melodias para explorar diferentes possibilidades. Embora colorido e festivo, NOW + 4EVA (2014, Casual Workout) é a abertura para um novo cenário musical do grupo, muito mais aconchegante e capaz de provocar a mente do espectador.

Completamente afastado do catálogo de emanações grandiosas impostas em Moment Bends, de 2011, o novo disco deixa de lado os (deliciosos) excessos para apostar na segurança. Arranjos minimalistas, sintetizadores compactos e vozes que se desenvolvem lentamente. Cada segundo do registro de 11 faixas é abastecido com parcimônia e evidente maturidade. Se há uma década, quando Fingers Crossed (2003) apresentou a banda, o interesse era em condensar o maior número de instrumentos, hoje a direção é outra.

A premissa do grupo ainda é a mesma: canções de amor, temas cotidianos e um conjunto de experiências ensolaradas. A diferença está na forma como esse resultado se comporta musicalmente no decorrer do álbum. Bastam as emanações tranquilas de Born to Convince You e a relação com o Metronomy pós-The English Riviera para perceber isso. Tudo se manifesta com extrema delicadeza, peças que se movimento de maneira calculada. Claro que a imposição precisa não desfaz a relação com os primeiros discos do grupo, afinal, o que é a canção de encerramento, Before Tomorrow, se não um atento regresso aos primeiros discos?

Mesmo que o tratamento sutil comande todas as preferências do álbum, o que não falta ao trabalho são composições dançantes e comerciais. Exemplo mais assertivo desse esforço passeia nas melodias de I Might Survive. Brincando (de forma controlada) com elementos da Disco Music, Soul, Funk e todo um catálogo de sonorizações lançadas nos anos 1970, a canção expande os horizontes, ao mesmo tempo em que ressalta velhos aspectos criativos da banda. Sobram ainda músicas como When You Walk in the Room, que mais parece uma extensão do disco passado com base nas novas preferências do grupo.

Pensado como uma obra de dois atos bem resolvidos, NOW + 4EVA abre “explosivo”, mas aos poucos emana calmaria. Contrastando a fluidez ascendente de In the Future, I Might Survive e demais faixas do primeiro lado, o registro assume na segunda metade uma economia envolvente dos arranjos. São músicas como Echo e U Tell Me, criações que amenizam sintetizadores, vozes e batidas em um espaço feito para confortar os ouvidos do espectador. Um conjunto de músicas que (também) reverberam as experiências dos anos 1970, mas encontram no uso dos sintetizadores um universo além.

Desenvolvido como um registro sem grandes pretensões, NOW + 4EVA usa da simplicidade como um estímulo para o ouvinte. Trata-se de um disco que usa da mesma fórmula encontrada pelo grupo australiano há mais de uma década, porém, em um enquadramento que ecoa leveza, boas melodias e canções que grudam na cabeça do ouvinte sem qualquer dificuldade. Um disco feito para ouvir com calma.

Architecture
NOW + 4EVA (2014, Casual Workout)

Nota: 7.0
Para quem gosta de: I’m From Barcelona, Islands e Au Revoir Simone
Ouça: Might Survive, Dream a Little Crazy e U Tell Me