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Disco: “On A Mission”, Katy B

Katy B
British/Electronic/Dubstep
http://www.facebook.com/katyb

Por: Fernanda Blammer

Enquanto boa parte dos adolescentes de todo o mundo acreditam piamente que WhoYou Are? (2011) estreia de Jassie J seja o grande momento do pop contemporâneo, funcionando como um intervalo para o próximo disco de Lady Gaga estes jovens de gosto musical afinado não sabem o quanto estão perdendo em deixar de ouvir On a Mission (2011), debut da londrina Kathleen “Katie” Brien, a Katy B. Somando dubstep, música eletrônica com ecos de anos 90 e toques de pop, a britânica mostra que seu antigo hit Louder era apenas um prelúdio para o belo disco que estava por vir.

Se um número bem definido de artistas do atual cenário dubstep britânico – entenda como Burial, James Blake, Mount Kimbie e de forma menos tradicional The Bug e Chase & Status – preferem trabalhar com as batidas em formato minimalista, fazendo com que cada som pareça de maneira cuidadosa, reducionista e até frágil, Brien dá um caráter completamente opositivo a isso. Seja pela forma com que seus vocais são explorados ao longo do trabalho, ou pelas batidas, deixando o delay como segundo plano e se afundando na criação de uma temática forte e consistente.

Como Katy mesmo expressa ela está em “uma missão”, obrigação essa que consiste em reformular quase dez anos de repetições que tomam conta de boa parte do cenário musical britânico. Afinal são raros os nomes que nessa última década conseguiram de fato lançar algo criativo – Lily Allen, Winehouse e Eliza Doolittle entre eles – sempre se mantendo firmes ao uso de ritmos e temáticas repetitivas, a velha fórmula do soul pop que abrange de Joss Stone à Ellie Goulding. Katy segue por uma via um pouco mais “difícil”, porém repleta de recompensas ao final.

[youtube:http://www.youtube.com/watch?v=-1Ynf2ScKiA?rol=0]

Em doze faixas a cantora vai de momentos completamente dançantes como ocorre em Power On Me e Why You Always Here? (uma das faixas mais marcantes do álbum e que permitem fluir a levada reggaeira do trabalho), até canções mais delimitadas como Go Away e Easy Please Me, ambas unindo de maneira satisfatória sons oriundos do hip-hop, reggae, dub, 2-step garage, R&B e até vagas passagens pelo trip-hop, sempre de maneira romanceada e embebida em pequenos toques de melancolia.

Mesmo que On a Mission conte com um direcionamento mais explosivo e amplamente voltado para o pop o que não faltam são pequenos e assertivos toques minuciosos para preencher as faixas. De solos de teclados funkeados (escondidos bem ao fundo das canções), bips discretíssimos, reverberações de vocais, viradas extraordinárias de bateria, percussões controladas e até samplers de grilos, pássaros e instrumentos de sopro, sobram elementos que servem como grandes (e necessários) complementos ao som da britânica.

De tempos em tempos algum disco acaba surgindo para dar uma chacoalhada na música pop, e ao que tudo indica esse debut da Katy B tem tudo para dar uma balançada ou no mínimo uma leve mudança no eixo. Assim como Robyn trouxe um som pop, dançante e genuíno em 2010, Brien vem para dar coro a esse tipo de sonoridade, sendo responsável pela criação de um som bem acabado, perfeito para as pistas e antes de qualquer coisa: feito de maneira artesanal e única, não de forma serial e monótona.

On a Mission (2011)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Magnetic Man, Chase & Status e Robyn
Ouça: Why You Always Here?