Disco: “On The Water”, Future Islands

Categories Resenhas

Future Islands
Indie Pop/Electronic/Pop
www.myspace.com/futureislands

 

Por: Fernanda Blammer

Caso esteja em busca de algum trabalho revolucionário, desafiador e que esbanje experimentos musicais, então o mais novo álbum da banda norte-americana Future Island não é esse disco. Entretanto, se a sua busca está relacionada ao encontro de um registro pop, fácil e dotado de um vasto jogo de composições puramente melódicas, então On The Water (2011, Thrill Jockey) é a sua melhor escolha. Simples, porém não básico, o mais recente disco do trio de Greenville se apresenta como um trabalho cuidadoso, esbanjando sons comerciais e que devem agradar em cheio aqueles que buscam por um trabalho suficientemente pop e quase dançante.

Soando como uma versão despojada de um David Bowie pós-fase Berlin ou talvez um New Order menos sintetizado, o álbum faz com que suas 11 faixas se traduzam em um pequeno jogo de hits, um trabalho que se apresenta como uma espécie de The Best Of 80’s, mas que mantém uma constante aproximação com o que há de novo no mundo da música. Construído inteiramente em cima de sintetizadores nostálgicos e guitarras docemente delineadas, o álbum, mesmo sem grandes revoluções ou novidades consegue agradar, e muito.

Quem se deixar conduzir apenas pela faixa título que abre o trabalho, com seu toque de Lo-Fi e até uma dose extra de simplicidade, talvez acabe não absorvendo a totalidade que o disco reserva em suas canções seguintes. Construída inteiramente com base na voz de Samuel T. Herring e uma leve sonoridade que ecoa a boa fase da New Wave oitentista, a canção vai se desdobrando de maneira tímida, como se a banda estivesse escondendo o ouro, o que eles de fato até fazem quando nos deparamos com as seguintes canções do disco.

Afundada na década de 1980, mas conseguindo de maneira incrível se afastar de todos os clichês da época, Before The Bridge, faixa seguinte já transparece muito do que encontraremos ao longo do trabalho, com a banda mobilizando uma composição inteiramente pegajosa, dotada de versos fáceis e que estranhamente consegue reverberar certa dose de ineditismo. O mesmo se revela nas faixas seguintes, The Great Fire e Open, ambas composições em que o grupo opta por músicas que ultrapassam os limites de um synthpop convencional e vão aos poucos agregando um vasto condensado de novas referências, indo do Lo-Fi à música ambiente.

Se a princípio o disco soa de maneira suave, pacata e deliciosamente branda, a partir da sexta composição do disco é visível um forte aumento na intensidade do trabalho. As batidas com eco e os teclados coloridos vão aos poucos delimitando o plano de fundo perfeito para que a romântica Give Us The Wind possa se anunciar. Os pequenos toques de melancolia surgem como um elemento extra para a composição, algo que se intensifica ainda mais na composição seguinte Close To None, com a banda soando como um The Cure menos sombrio, porém, ainda assim sofredor.

Outro elemento de grande destaque dentro do álbum são as guitarras, que para além de se apresentarem como uma espécie de degrau para que os outros instrumentos e sons presentes no disco possam se anunciar com primazia, acabam servindo para que aos poucos possam pontuar o trabalho com um toque minimalista, porém essencial para todo o contexto do trabalho. Incrivelmente interessante, o álbum segue tranquilo até seus últimos instantes, sendo capaz de fazer com que os ouvintes entoem seus versos segundos após o término de cada composição.

 

On The Water (2011, Thrill Jockey)

 

Nota: 7.5
Para quem gosta de: Adventure, Diamond Rings e Twin Shadow
Ouça: Before The Bridge e Balance

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Criador do Miojo Indie, trabalhou como coordenador de Mídias Sociais na Editora Abril, editor de entretenimento e cultura no Huffington Post e hoje é editor de conteúdo no Itaú. Apaixonado por GIFs de gatinhos, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil como presente.

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