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Disco: “OPALA EP”, Opala

Opala
Brazilian/Indie/Chillwave
https://www.facebook.com/opalaproject

 

Por: Cleber Facchi

Opala

O universo particular de Maria Luiza Jobim e do parceiro Lucas de Paiva (People I Know/Mahmundi) dança pela tonalidade branda dos sons como quem se esquiva a todo o instante de possíveis exageros. Parte da safra de artistas cariocas inclinados ao resgate nostálgico de marcas expressivas década de 1980, o Opala, projeto aos comandos partilhados do casal, dança pelo tempo. Ao transportar elementos esquecidos da produção musical concebida há três décadas, sem perder o teor de “novidade” que se esconde na Chillwave, a dupla faz do autointitulado primeiro disco uma morada inevitável para a calmaria e a dor. Um som que parece refletir o cenário individual dos parceiros, mas que se aproxima sem qualquer rastro de timidez do próprio ouvinte.

Ex-integrante do coletivo Baleia e filha de Tom Jobim, Maria Luiza parece trilhar um percurso de natural distanciamento familiar ou mesmo de qualquer projeto anterior com o novo trabalho. Ao lado de Paiva – que em parceira com a multitarefa Marcela Vale deu formas ao delicioso Efeito das Cores EP (2012) -, a cantora usa dos vocais como uma isca para um universo etéreo, doloroso na maior parte do tempo, porém carregado de preciosismos instrumentais que praticamente se derretem no ouvinte. Ora brincando de ser Victoria Legrand no Beach House (pós-Teen Dream), ora passeando pelo mesmo clima sedutor que o Chromatics trouxe em Kill For Love (2012), a dupla traz nas referências um condimento para uma obra de esforço e reverberações particulares.

Opala

Como se o Chairlift do álbum Something andasse em câmera lenta, as cinco faixas que traduzem OPALA EP (2013, Independente) crescem em uma manifestação particular do casal. De arquitetura crescente, o álbum usa a primeira metade das composições para lidar com a candura dos sons. Enquanto a voz de Jobim se transforma em um instrumento, Paiva acrescenta um catálogo de pequenas excursões eletrônicas, brindando o ouvinte com a agitação leve de Absence To Excess ou mesmo o Dream Pop mágico de Two Moons. Já em Come Home a busca é por uma música de alinhamento ambiental, quase um aperitivo para as experimentações que crescem simpáticas com Make It Shake. Ao final, a dança tímida de Shibuya revela todo um novo esforço do trabalho, como se a dupla antecipasse com timidez o que pode vir a desenvolver em breve.

De propósito açucarado, mas sem perder os instantes de amargura, o singelo registro não se manifesta apenas como uma representação ativa do que abastece a cena carioca, mas parte expressiva do panorama estrangeiro na música alternativa. Inclinados a provar de cada mínima representação sonora – antiga e presente -, a dupla passeia pelo disco alicerçando composições de beleza individual. Um agrupado de cores e manifestações variadas que bem se relacionam com as propriedades do mineral que dá título ao trabalho da dupla.

 

OPALA EP (2013, Independente)

 

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Mahmundi, Silva e Dorgas
Ouça: Two Moons, Absence To Excess e Shibuya

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