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Disco: “Outside”, CFCF

CFCF
Canadian/Electronic/Ambient
https://www.facebook.com/cfcfmusic

 

Por: Fernanda Blammer

CFCF

Certeza é uma palavra que parece não existir no vocabulário de Michael Silver. Músico responsável pelo CFCF, o canadense acumula em um rico catálogo de EPs, singles e diferentes obras de estúdio, um princípio constante de mutação. São transições amenas pela Ambient Music, condensados que brincam de forma sutil com eletrônica e todo um jogo de heranças musicais que parecem atravessar décadas até crescer pelo trabalho do artista. Mais uma vez flutuando em um cenário de nuvens instrumentais, Silver chega ao segundo registro oficial em um esforço continuo de reformulação, efeito que modifica a obra prévia do artista e mergulha o ouvinte em um cenário de novidades.

Se há pouco menos de um ano a tapeçaria musical tímida de Exercices EP guiava o trabalho do canadense, há algumas semanas, quando Music for Objects foi lançado, Silver já demonstrava um novo interesse. Aplicando os sintetizadores em um exercício confortável, quase como um cobertor leve sendo desenrolado, o músico faz do presente registro um completo oposto dos trabalhos anteriores, principalmente em relação ao debut Continent (2009). Se há quatro anos a proposta do músico era a de entregar ao ouvinte passos tímidos de dança, hoje o detalhe introspectivo toma conta de cada invento do CFCF.

Partilhando uma série de referências próximas da Chillwave, Silver atravessa a década de 1980 até aportar nos primórdios da ambient music, no meio dos anos 1970. Discípulo de Brian Eno e capaz de brincar com a mesma sutileza harmônica que marca a fase mais rica do Kraftwerk, o canadense utiliza de Outside como uma obra de detalhes. Homogêneo em essência, o trabalho incorpora em cada uma das dez composições um esforço nada tímido nos sons que ocupam as canções. São bases sobrepostas, batidas compactas e vozes que praticamente se transformam em instrumentos dentro da estética etérea do artista.

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De alinhamento preguiçoso, Outside cresce em um misto de presença e timidez. Utilizando dos sintetizadores como um princípio para cada composição, Silver faz com que o trabalho siga até o último instante em um ambiente delicado, uma nuvem de sons atmosféricos e limites bem definidos. Enquanto músicas como Jump Out Of The Train ecoam como uma versão menos excêntrica do universo de Daniel Lopatin com o Oneohtrix Point Never, outras como Find partilham do mesmo teor bucólico que ocupa a obra de Washed Out. São músicas que parecem simplesmente se desfazer ao longo do disco, como se tudo fosse agrupado em uma espuma de sons essencialmente leves.

Claro que nem tudo parece seguir a mesma tendência. Em Feeling, Holding, por exemplo, o manuseio das batidas abafadas se conecta diretamente ao trabalho do músico em Continent, como se o norte-americano buscasse dar novo sentido ao lançamento anterior. The Crossing, por sua vez, faz das batidas arrastadas e do eco natural da composição um passeio pelo R&B da década de 1980. Uma onda tímida de romantismo que preenche com novidade os instantes finais do trabalho, e um princípio que poderia ser melhor aproveitado em um futuro EP do artista.

Mesmo desenvolvido de forma atenta, Outside não deixa de cair nos mesmos erros que há tempos acompanham a obra de CFCF. Ao apostar em uma sonoridade de forte proximidade entre as músicas, Michael Silver faz com que o ouvinte flutue em um jogo de sons que tendem ao marasmo. Por mais satisfatório que seja o resultado dado ao trabalho, o músico exagera nos passeios etéreos, tirando o pé do chão e errando nas curvas que delimitam o disco.

CFCF

Outside (2013, Paper Bag)

Nota: 7.2
Para quem gosta de: Washed Out, Teen Daze e d’Eon
Ouça: The Forest at Night, The Crossing e Find