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Disco: “Paradise”, Slow Club

Slow Club
British/Indie Pop/Folk
http://www.myspace.com/slowclub

 

Por: Fernanda Blammer

Uma coisa é certa: o que não faltam hoje em dia são grupos ou duplas de indie pop voltados para a produção de um som tomado de delicadezas ou misturas musicais agridoces. Entretanto torna-se possível contar nos dedos aqueles que de fato fazem a diferença, quebrando fórmulas tomadas de marasmo ou constantes redundâncias. Grupos como os suecos do Club 8, os norte-americanos do Ra Ra Riot, até mesmo os brasileiros do Rosie and Me, ou ainda o casal britânico Slow Club, que após um bem sucedido álbum de estreia volta agora com um novo e fresquinho registro, prontos para nos embalar com sua sonoridade tomada de delicadas tonalidades.

Diferente de outros projetos do gênero, que parecem se esconder em meio ao uso abusivo de xilofones ou teclados infantis, a parceria gerada entre o casal Charles Watson e Rebecca Taylor usa dos sons essencialmente delicados e tomados de detalhes para construir um cenário melancólico e que faz brotar pequenos lamentos musicados. Vindos do bem recebido Yeah So (lançado em julho de 2009), o duo faz de seu recente disco um pequeno catálogo de composições românticas e amarguradas, faixas montadas para aconchegar e encantar o público.

Embora o nome Paradise deixe transparecer um aspecto ensolarado e repleto de composições talvez calorosas, ao longo dos mais de 40 minutos do álbum – que chega sob o aval do importante selo inglês Moshi Moshi – a dupla nos encaminha através de um caleidoscópio de sensações dolorosas, mesmo que em alguns momentos toques de esperança tentem se evidenciar. Suave e sem grandes alterações instrumentais, o trabalho se movimenta dentro de uma espécie de limite próprio, como se mesmo sendo capazes de lançar um som “maior”, a dupla se satisfizesse com o básico.

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Cada faixa do álbum parece puxar a canção seguinte, como se algum elemento no final de cada música já nos preparasse para o que encontraremos na sequência. Dessa forma, mesmo sem grandes evoluções o disco segue tranquilo, dinâmico e incapaz de nos sufocar com sua instrumentação sorumbática ou seus versos deveras penoso. Mesmo limitadas, as canções parecem crescer em sua execução, como se cada faixa fosse acumulando elementos próximo de seu termino e explodindo em um refrão empolgado ou uma musicalidade volátil.

Contrário ao trabalho que o precede, Paradise se cerca de guitarras tomadas por um espírito muito mais soturno e emanações sonoras opacas. Mesmo que as canções sigam por um rumo brando e tomado de elementos que transbordam delicadeza, lentamente algumas das composições presentes no registro se voltam para uma condução mais reclusa e séria. Tanto Beginners como You, Earth Or Ash – respectivamente sexta e sétima faixas do álbum – seguem de maneira densa, deixando escorrer uma instrumentação abafada e que parece construir o cenário musical exato para os dolorosos versos das duas canções.

Observando Paradise de maneira geral, a dupla responsável pelo disco parece lentamente nos encaminhar para seu desfecho melancólico e cada vez mais denso, abrindo o trabalho de forma mais suave e enaltecendo o uso de uma sonoridade mais “alegre” para depois nos cercar com sua musicalidade cada vez menos eufórica e sofrida. Mesmo longe de proporcionar um trabalho conduzido por sobressaltos instrumentais ou grandes revoluções, o Slow Club mantém o acerto em seu novo álbum de forma constante, gerando um disco perfeito para os fãs e uma bela introdução aos que desconhecem sua música.

 

Paradise (2011, Moshi Moshi)

 

Nota: 7.0
Para quem gosta de: Emmy The Great, Los Campesinos e Noah and The Whale
Ouça: Beginners