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Disco: “Past Life Martyred Saints”, EMA

EMA
Experimental/Indie/Female Vocalists
http://cameouttanowhere.com/

Por: Cleber Facchi

Embora até exista o esforço de tentar compreender determinados artistas dentro do cenário ao qual estão integrados, eventualmente esta se torna uma compreensão desnecessária por conta da fragilidade do registro ou pela simples falta das mínimas qualidades técnicas do mesmo. A prova mais recente disso é Past Life Martyred Saints (2011), primeiro disco de Erika M Anderson, ou como se apresenta pelos palcos de Los Angeles, EMA. Munida de sua guitarra, uma rara bateria, seus vocais amargos e cargas de distorção, a cantora faz de sua estreia um disco penoso e que põem em prova a paciência do ouvinte.

Assim como aconteceu com o Forest Swords em 2010, através do disco Dagger Paths, a musicista conta com o aval de um bom número de amigos na blogosfera ligados aos principais sites de conteúdo musical relevante, o que desde o inicio do ano contribuiu para que elogios rasgados (principalmente da Pitchfork) fossem lançados antes mesmo do álbum sair do forno. Dessa forma, as plataformas menores se veem quase na obrigação de elogiar o disco, mesmo não concordando com seu resultado, em uma verdadeira prova do efeito ocasionado pela Espiral do Silêncio.

O grande problema de EMA, entretanto, não está em se cercar por uma sonoridade opaca, elaborando nove faixas do mais puro experimentalismo, mas sim na maneira como organiza isso dentro de seu disco. Desde o começo da década que bons trabalhos explorando um tipo de som menos fácil vem sendo apresentados e com uma aceitação grande, tanto por parte da crítica, quanto do público, como dos próprios selos que investem nesse tipo de som. Anderson, entretanto dá aos arranjos e canções um resultado de pura desordem, o que torna simplesmente impossível a apreciação do álbum em boa parte de sua totalidade.

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Normalmente o que torna um trabalho memorável é a forma como as composições são encaixadas de maneira concisa e padronizada dentro do jogo sequência do álbum, algo que nem mesmo os trabalhos que tragam um foco no experimental podem se distanciar. Um exemplo claro é Person Pitch (2007) do Panda Bear, que mesmo amarrado por um instrumental ligado ao freak-folk mantém um padrão, uma lógica apreciativa em suas sete faixas, algo que simplesmente é esquecido em  Past Life Martyred Saints.

Os alvos de EMA dentro do trabalho são muitos, e todos apontando para as mais variadas direções. A musicista transita tanto por uma instrumentação com foco na música folk, como no rock, na eletrônica e no que mais tiver vontade de explorar, dentro de uma sequência irritante de texturas instáveis. É como se, quando jovem Anderson tivesse ouvido a todos os tipos de sons e quisesse fazer de sua estreia uma espécie de homenagem aos seu ídolos, num resultado, claro, falho. A sonoridade é densa, imprecisa e força um sentido caótico a todo momento, tornando o trabalho simplesmente insuportável.

Os melhores momentos do disco são justamente aqueles em que EMA consegue terminar o que começou. Isso fica representado por Milkman, um noise rock levemente descontrolado, e Red Star, quase um bardo solitário da música country no fecho do álbum, ambas composições onde percebe-se que há um motivo, um significado para o que é explorado. Por mais que se oculte em meio a variadas camadas de som indistintos, Anderson não é muito diferente das garotas da sua idade, apenas encontrou um caminho diferente para expressar seus lamentos, sonhos e indecisões, um caminho obviamente menos interessante.

Past Life Martyred Saints (2011)

Nota: 7.0
Para quem gosta de: Growns, Cat Power e Fever Ray
Ouça: Milkman

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