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Disco: “PC Music, Vol. 1”, Vários Artistas

PC Music
Pop/Electronic/Experimental
http://pcmusic.info/

Quais são os limites do pop? Essa é a pergunta que o coletivo londrino PC Music busca responder no decorrer da primeira coletânea oficial, PC Music, Vol 1. Jogo de texturas, vozes e arranjos lançados de forma sempre esquizofrênica, o curto acervo – são apenas dez faixas – mais parece um reflexo da presente transformação dentro da música pop britânica. Um espaço conceitual em que referências de um passado recente se encontram com experimentos futurísticos, provocando a interpretação do ouvinte sem escapar de um típico produtor comercial, naturalmente pronto para as pistas.

Síntese de todo o material lançado pelo selo desde o começo do último ano, o álbum de apenas 30 minutos pode não parecer uma novidade aos velhos seguidores do coletivo, entretanto, soa como eficiente cartão de visitas para quem desconhece o colorido universo do grupo de produtores. Every Night, Wannabe, In My Dreams ou Keri Bronze, não importa qual a faixa escolhida, como a bebida plástica “lançada” em Hey QT–  projeto dissidente formado por A. G. Cook e SOPHIE -, cada “dose” da enérgica coletânea soa como incentivo para explorar ainda mais os conceitos de cada colaborador.

Longe de parecer um mero livro de recortes, com artistas encaixados de forma aleatória, da abertura ao fechamento, nítido é o esforço do grupo – encabeçado por A. G. Cook – em selecionar composições musicalmente aproximadas. Além da euforia pop que abre e finaliza o disco, elementos resgatados do R&B e todo o cenário musical lançado nos anos 1990 servem de cola temática para o material homogêneo do trabalho. Não por acaso, Spinee, Dux Content e demais artistas que “escapam” desse mesmo universo foram deixados de fora da primeira edição da série.

Em se tratando da estrutura “montada” para o álbum, dois elementos bem específicos. De um lado, a utilização versátil dos sintetizadores e batidas eletrônicas, tendência que “flerta” de forma acessível em cima de uma interpretação “pegajosa” da IDM. No outro oposto, a manipulação dos vocais, referência que transforma o time de “vocalistas” da coletânea em um mesmo “personagem” robótico, andrógino e íntimo do resultado provocativo que o coletivo britânico busca alcançar sonora e visualmente.

Ponto central da obra e talvez o principal mecanismo de aproximação entre as faixas, Hanna Diamond parece estabelecer os temas a serem explorados pela coletânea. Responsável por duas das principais faixas do registro – Every Night e Attachment -, além de emprestar os vocais para outras canções espalhadas pelo trabalho – In My Dreams e Keri Baby -, a cantora/produtora britânica ainda serve de “base” para o restante da obra, como um personagem. Perceba como as faixas assinadas por GFOTY e Ty Slaughter soam como retalhos da artista. Todavia, tamanha relação entre as músicas está longe de transformar a primeira coletânea da PC Music em um material previsível.

Mesmo para aqueles que já se aventuram pelo acervo de vozes remodeladas e sons plastificados do selo, quando apreciado em completude, como obra fechada, o primeiro registro oficial do coletivo PC Music revela a construção de um universo próprio, maior até do que o próprio “sarcasmo” que o grupo sustenta em relação aos clichês do pop. Nomes e características isoladas podem ser observadas (e ouvidas) em cada ato do registro, entretanto, poucas vezes antes um time de artistas pareceu tão centrado e motivado a atuar de forma colaborativo – em unidade – quanto neste disco.

PC Music, Vol. 1 (2015, PC Music)

Nota: 8.5
Para quem gosta de: SOPHIE, QT e FKA Twigs
Ouça: Attachment, Every Night e In My Dreams

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