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Disco: “Peixe Homem”, Madame Saatan

Madame Saatan
Brazilian/Metal/Alternative
http://www.madamesaatan.com

Por: Cleber Facchi

Embora para alguns o desabafo de Edu Falaschi (vocalista do Angra) no começo do último mês possa soar como “os lamentos de um metaleiro chorão”, não há comentário mais honesto e real no que tange o trabalho de bandas brasileiras e o completo desrespeito que o público tem sobre elas quanto este. Essa lógica (que também se aplica a outros gêneros musicais pelo Brasil afora) parece se tornar ainda mais complexa e dura quando nos deparamos com trabalhos que se orientam para a produção de discos cantados inteiramente em português, ou ainda pior: quando à frente dos vocais quem está lá é uma mulher.

Mesmo contra todas as péssimas expectativas, o grupo paraense Madame Saatan tenta se desvencilhar de todo esse contexto, transformando o segundo e mais novo álbum do grupo em uma sucessão incontestável de acertos e que mesmo contra toda a descrença ou falta de apoio dos fãs se orienta de maneira primorosa e surpreendentemente bem projetada. Batizado com o nome de Peixe Homem (2011, Doutromundo Discos), o álbum de 12 faixas reverbera todo o peso que o quarteto vem construindo há mais de oito anos, temperando tudo com as velhas referências regionalistas, alguns toques de hardcore e até certas pendências ao rock alternativo.

Seguindo a diretriz instalada no título da obra, a banda transforma o presente álbum em uma sequência de projeções sonoras sempre mutáveis, faixas que revolucionam suas obviedades para se converterem em um som vasto, que assim como a água (o suposto ambiente do Peixe Homem), ressurge constantemente em novas formas. Dessa maneira, torna-se possível que a banda atravesse distintos ambientes, remodele cada mínima proporção do disco, lançando assim um álbum tão ou mais vasto que o elogiado último disco do quarteto – registro que garantiu aos paraenses o prêmio Dynamite de melhor álbum de Heavy Metal de 2008.

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Há três anos residindo em São Paulo, o grupo – formado por Sammliz, Ícaro Suzuki, Ivan Vanzar e Ed Guerreiro – parece se afastar gradativamente dos toques regionalistas que se instauravam no decorrer do último disco, prezando por um som que mesmo diverso, se encaminha para uma formatação acinzentada e muito mais dura do que qualquer anterior produção da banda. O resultado desse “embrutecimento” do grupo está em uma sucessão de pancadas musicais, faixas que parecem prontas para dilacerar o ouvinte, ao mesmo tempo em que a fluidez melódica dos versos parecem possibilitar um resultado mais comercial e grandioso ao grupo.

Logo de cara os paraenses catapultam para cima do público toda a grandiosidade de Respira, música comandada pela linearidade forte das guitarras de Ed Guerreiro, que honrando o sobrenome não poupa os tímpanos dos espectadores em nenhum segundo. Da abertura do disco ao fecho somos assolados por uma sucessão de faixas explosivas e ao mesmo tempo encantadoras (motivo mais do que explicado pela voz hipnótica de Sammliz), canções movidas por uma exposição grandiosa que mesmo ao falar de amor, como em Cicatriz, em nenhum momento tendem a cessar ou diminuir o fluxo e a intensidade da obra.

Forte, o álbum faz com que cada uma das canções que dele brotam acabem crescendo de maneira exponencial, agregando valor e peso em cada nova execução do registro. Talvez em virtude da região de origem do grupo e da formatação musical que abrangem, os paraenses sejam responsáveis por produzir um dos trabalhos mais ricos e originais do gênero no Brasil. Se alguém ainda não tinha motivos para se embrenhar pelos ensinamentos e caminhos do metal nacional, agora o quarteto Madame Saatan garante vários.

Peixe Homem (2011, Doutromundo Discos)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Dalva Suada,Los Porongas e Maldita
Ouça: Respira, A Cicatriz e Fúria

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