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Disco: “Pentagrama EP”, Subburbia

Subburbia
Brazilian/Indie Rock/Noise Pop/
http://soundcloud.com/subburbia

Por: Cleber Facchi

Como boa parte das bandas nacionais (ou mesmo gringas) que surgiram no decorrer da última década, a curitibana Subburbia nada mais era do que um ponto de encontro para fissurados pela temática dançante da New Wave oitentista e entusiastas do novo rock que tomou a cena alternativa dos anos 2000. Melhor exemplo disso está registrado no escasso número de composições que a banda foi montando ao longo dos últimos anos, culminando no lançamento de um EP – o razoável Fina Tey -, além de um punhado de outras canções que apareciam de forma curta apenas nas apresentações sempre memoráveis do grupo.

Adeptos da mudança e conscientes da rotatividade da produção musical, o quarteto formado por Emil (Baixo e Vocais), Marina (Guitarra e Vocais), Ernani (Sintetizadores) Vir (Bateria) passou o ano de 2011 costurando em cada novo show ou cada nova gravação uma veste renovada para a banda. Logo, o grupo deixou de lado o brilho neon dos anos 80 para mergulhar de vez no noise pop que comanda tanto os clubes noturnos do Brooklyn como as praias em Los Angeles. Como resultado, o pós-punk que antes se mantinha ao fundo das composições cresceu, abraçando as guitarras distorcidas e o tom quase Lo-Fi que o grupo eleva à milésima potência durante as apresentações ao vivo.

Desse composto de referências nostálgicas e contemporâneas vem Pentagrama EP (2012, Independente), o mais novo registro oficial do grupo e trabalho que faz do quarteto os responsáveis por um dos registros nacionais que melhor dialogam com o cenário alternativo internacional. Delimitado por quatro faixas, o registro exclui qualquer possível conexão com a banda que se apresentava há alguns meses, arremessando para cima do ouvinte uma chuva de distorções, versos pop pegajosos e um sentimento despretensioso que torna divertida a audição do álbum até os últimos instantes.

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Longe de qualquer complexidade, a banda vai até a produção tosca da década de 1970, espia com controle as músicas dos anos 90 e perfuma com sujeira e sintetizadores comportados os mais de quatro minutos de duração da empolgada e crescente I’ve Got No Friends. Comandada pelo substancial encontro entre guitarras cruas e um baixo flexível, a faixa explode e vicia o ouvinte em uma única audição, feito mais do que justificável mediante os versos pegajosos que se dividem entre os vocais (e cabelos) de Emil e da tímida Marina (“Penny” para os íntimos). Fácil, mas longe de soar burra, a canção abre as portas para todo um conjunto de acertos que se sobrepõe em sequência.

Lembrando as garotas do Vivian Girls (do primeiro disco, claro), ou talvez um Crystal Castles em seus momentos menos sintéticos, Can Be Dead segue a deixa da faixa anterior, apenas servindo de aquecimento para que o solo (ou seria serra elétrica?) de When Trance Was On Fire entre explodindo cabeças. Pesada e quase caindo nas experimentações do Sleigh Bells em alguns momentos, a faixa se mantém firme durante os curtos 3:05 minutos de duração. Marina (sempre acompanhada por Emil nos vocais) praticamente trava um duelo contra a bateria de Vir, embate que torna a composição ainda mais intensa, arquitetando o pequeno álbum para os momentos finais da faixa seguinte.

Velha conhecida dos frequentadores de shows da banda, Wrong Riot talvez seja a única ligação da banda com a produção musical do passado, feito que o grupo justifica com guitarras dançantes, um corpo de vozes acessíveis e claro, o casamento sólido entre os teclados e a bateria que preenchem a faixa. Mais do que um novo começo para o grupo curitibano, Pentagrama traz pela primeira vez em estúdio a mesma força e o peso que o grupo esbanja em suas apresentações ao vivo, prova mais do que suficiente da força e da habilidade da banda nessa nova empreitada.

Pentagrama EP (2012, Independente)

Nota: 7.8
Para quem gosta de: Single Parentes, The Name e Sleigh Bells
Ouça: o disco todo

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