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Disco: “Pool”, Porches

Porches
Indie/Alternative/Synthpop
http://porchesmusic.bandcamp.com/

 

Aaron Maine passou os últimos cinco anos envolvido em uma série de projetos da cena nova-iorquina. Trabalhos assinados em parceria com a namorada, Greta Kline, do Frankie Cosmos, ou mesmo diferentes registros que abastecem a discografia do Porches no Bandcamp. Nada que se compare ao material apresentado em Pool (2016). Primeiro trabalho do produtor lançado por um grande selo – Domino Records, casa de bandas como Arctic Monkeys e Franz Ferdinand -, o álbum de lírica melancólica assume uma explícita curva instrumental dentro do rico catálogo de obras produzidas pelo artista desde a estreia em 2011.

Catapultado pela fluidez pop e melodias descomplicadas de Be Apart, o presente registro rompe de maneira explícita com o som testado por Maine até o antecessor Slow Dance in the Cosmos, de 2013. Livre das guitarras, são as bases movidas por sintetizadores minimalistas que prendem a atenção do ouvinte. Uma coleção de melodias, vozes e batidas tímidas que resumem todo o potencial do trabalho durante a construção da inaugural (e levemente dançante) Underwater.

Em um ambiente tão íntimo de veteranos como Arthur Russell e Suicide, quanto do Majical Cloudz na dobradinha Impersonator (2013) e Are You Alone? (2015), Maine finaliza uma sequência de composições que se amarram dentro de um cenário essencialmente pessimista. Uma visão desconstruída do mesmo ambiente festivo que posiciona famílias e jovens norte-americanos à beira de uma piscina. Sorrisos falsos, versos amargos e tormentos intimistas que se afogam lentamente.

It gets so dark / Before the very powerful / Light comes down / On me”, canta Maine logo nos primeiros versos de Braid, segunda canção do disco e música que sintetiza de forma assertiva a temática sombria que invade o álbum lentamente. Salve a rápida “fuga” em Car, um declarado grito de amor que poderia ser encontrado em qualquer álbum de Ariel Pink ou do Future Islands, Pool em nenhum momento se distancia da mesma base iniciada em Underwater. Uma sequência de vozes e versos submersos que se amarram com sutileza, detalhando peças “irmãs” como Hour, Even The Shadow e Mood.

Ora mergulhado em clássicos como Violator (1990) do Depeche Mode, ora próximo de obras recentes, caso de Forget (2010) do Twin Shadow e TRST (2012) do Trust, Maine finaliza um registro que parece dançar pelo tempo. 1986 ou 2016? Não importa. Difícil estabelecer um período de tempo exato quando os sintetizadores ecoam de forma propositadamente nostálgica, mas os versos tratam de sentimentos tão atuais.

Capítulo isolado dentro da discografia do Porches, Pool, assim como os demais registros apresentados por Aaron Main nos últimos cinco anos, se revela como um curioso exercício criativo. Temas e referências adaptadas que se transformam em composições dançantes (Be Apart), atos de profundo isolamento (Even The Shadow) ou mesmo instantes em que a lírica descomplicada de Maine traduz com naturalidade sentimentos tão complexos (Shaver).

 

Pool (2016, Domino)

Nota: 8.5
Para quem gosta de: Majical Cloudz, Trust e Twin Shadow
Ouça: Be Apart, Shaver e Car

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One thought on “Disco: “Pool”, Porches

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