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Disco: “Pure Gold”, Boss In Drama

Boss In Drama
Brazilian/Electronic/Pop
http://www.bossindrama.net/

Por: Cleber Facchi

Aos que acompanham o trabalho do paranaense Péricles Martins desde a segunda metade da década passada – quando o mesmo lançou suas primeiras composições sob o nome de Boss In Drama, ainda fazendo uso dos cifrões no lugar da letra “s” -, talvez presenciar o lançamento de Pure Gold (2011, Vigilante) seja como assistir ao ato final de uma grande película musical contemporânea. Um filme, em que o personagem principal parte em busca de um lugar apenas seu no universo de glórias e também desdouros da música pop. Para Martins, entretanto, o último ato de seu filme ainda está longe de se anunciar, afinal, com a chegada de seu primeiro disco é agora que a melhor parte do roteiro começa a se revelar.

Longe do electropop fluorescente que explodia através da colorida e dançante Shake – talvez o mais próximo do que o Brasil chegou da famigerada New Rave -, em sua primeira grande empreitada musical, o produtor deixa de lado as cores e o ritmo de outrora para se cercar de brilho, luxo e glamour, além, claro, de toda uma aura pop que evoca tanto os sons da década de 1970, como os primórdios da geração 2000. Assumindo a totalidade do disco, Martins revela um jogo de composições que fazem jus ao título do trabalho, que segue brilhando como o mais puro e reluzente ouro musical.

Dialogando com o que há de mais atual no electropop contemporâneo, o paranaense erradicado em São Paulo desce diretamente aos princípios da década de 70, bebendo tanto da cena Disco que tomou conta da época – algo que se revela inclusive em seu figurino e no visual que acompanha o álbum – como de pequenas doses de soul music. Saltando para a década seguinte há o já habitual encontro com o synthpop, temática que aqui se desvencilha do básico, muito provavelmente pelas transições pela Eurodisco que explodiram no mesmo momento, além de um toque de Michael Jackson que se revela principalmente no modo de cantar de Péricles.

Entre solos de saxofone que entrecortam músicas como Body Rock, puxando constantemente o produtor para os nostálgicos sons de épocas passadas, muito do que faz o disco fluir de maneira natural e dinâmica se concentra nos primeiros anos do novo século, mais especificamente no trabalho da dupla francesa Daft Punk. Usando o clássico Discovery de 2001 como sua bíblia, Martins vai pontuando o álbum com claras referências ao trabalho Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo, sendo a própria faixa que nomeia o disco seu grande exemplo, com Boss In Drama investindo em um pop eletrônico pegajoso e profundamente comercial.

Acompanhado pela voz da cantora australiana Christel Escosa (que também divide com Péricles a autoria de algumas das músicas do álbum) e da brasileira Laura Taylor (Bonde do Rolê), Martins desenvolve um trabalho rápido e convidativo, mas que acaba em alguns momentos perdendo um pouco de seu brilho. Em Let Me Be, por exemplo, mesmo a participação de Taylor não consegue salvar a composição de um resultado morno e deveras redundante, algo que se estende até a faixa seguinte, Perfect Symphony, que mesmo carregada por uma musicalidade que ecoa com perfeição a década de 1970 não consegue de forma alguma escapar do básico.

Mesmo que acabe tropeçando em alguns momentos, Pure Gold mantém de forma contínua sua boa condução, pontuando o álbum com diversos momentos de pura exaltação instrumental e um belo arsenal de hits. Por todos os lados do trabalho, faixas como a poderosa I Don’t Want Money Tonight, a já conhecida Favorite Song, o radiofônico achado Disco Karma ou mesmo a poderosa canção título explodem em contornos musicais de pura exatidão, com Boss In Drama proporcionando um trabalho que é um verdadeiro achado para as pistas e que em nada fica devendo ao que é produzido lá fora.

Pure Gold (2011, Vigilante)

Nota: 7.3
Para quem gosta de: Copacabana Club, Database e Penguin Prison
Ouça: I Don’t Want Money Tonight

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