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Disco: “Quarantine”, Laurel Halo

Laurel Halo
Experimental/Electronic/Dream Pop
http://www.laurelhalo.com/

Por: Cleber Facchi

Laurel Halo

No começo de março quando Julia Holter apresentou ao público o álbum Ekstasis foram abertas as portas para um universo de sonorizações ambientais, místicas e essencialmente delicadas. Uma espécie de manifestação sonora que rapidamente transportava o ouvinte para um ambiente bucólico, rodeado por imensas árvores e seres fantásticos. Caminhando dentro dessa mesma atmosfera e musicalidade, a nova-iorquina Laurel Halo puxa o espectador para um terreno acinzentado, urbano, rodeado por concreto e outras formas de vida, uma espécie de contraponto necessário que se arma no interior do experimental Quarantine (2012, Hyperdub).

Para além das aproximações com a New Age e toques marcados de Dream Pop, talvez o que mais aproxime as duas compositoras esteja relacionado com o trabalho da islandesa Björk. Porém, enquanto Holter se deixa absorver pelo clima etéreo de Vespertine e Medúlla, Halo parece interessada no toque sintético de obras como Post e Homogenic, algo bem visível na maneira como as batidas e samples vão se acomodando no centro do disco. Partindo desse princípio, a norte-americana mergulha em um som vasto, sempre experimental e naturalmente nunca óbvio, um reflexo musical da variedade de formas que se edificam em uma grande metrópole.

Espécie de versão urbana daquilo que Julianna Barwick construiu no álbum The Magic Place (2011), Quarantine também utiliza da voz como principal elemento para a sustentação das faixas. Por vezes, a maneira como a cantora expõe os vocais parece ser muito mais importante do que a poesia construída por ela ou que a própria instrumentação em si, afinal, é a voz que carrega o ouvinte desde a faixa de abertura, Airsick, até a canção de encerramento, Light + Space. Elemento que se movimenta de maneira sempre vasta, remodelada e rica em detalhes. Todavia, se os vocais servem como setas para o trabalho, tanto os versos como as melodias acabam por garantir o restante da massa sonora que traduz a beleza da obra.

A força das palavras é tanta, que no decorrer da adorável Years, por exemplo, o que prevalece é o tom amargurado da poesia assinada pela cantora, que em curtos minutos passeia por um dos tratados mais dolorosos do ano sobre término de relacionamento e saudade. A maneira honesta como a musicista expõe seus sentimentos a afasta de metáforas ou quaisquer estruturas demasiadamente subjetivas, tornando o registro, mesmo complexo e naturalmente experimental, o tempo todo próximo do ouvinte – principalmente dos sofredores.

Longe de funcionar como um triste e doloroso conjunto de poemas particulares, Quarantine cresce e rompe limites por conta do ruidoso catálogo de sons que a cantora despeja com o passar das faixas. Há desde sintetizadores esquizofrênicos e batidas descompassadas em Morcom e Holiday – dois dos momentos mais björkianos do disco -, até pontos estritamente ambientais e densos, algo bem retratado em Nerve. Até quando assume uma postura mais “pop”, como em Light + Space, Halo não esquece de manter a instrumentação organizada de forma distinta, acrescentando um tempero experimental, etéreo e sempre acinzentado.

Mesmo que por vezes o tom demasiado hermético da obra feche Laurel Halo em um cerco instrumental conhecido apenas por ela, quem conseguir ultrapassar essa espessa barreira vai se deparar com um registro mágico, uma espécie de trilha sonora involuntária para os indivíduos que transitam solitários por entre os prédios altos das grandes cidades. Por mais que as referências ao trabalho de Björk estejam por toda parte, Halo deixa claro o quanto consegue ir além disso, sendo Quarantine apenas o início de uma brilhante carreira.

Quarantine (2012, Hyperdub)

Nota: 8.2
Para quem gosta de: Julia Holter, Bkörk e Julianna Barwick
Ouça: Light + Space, Carcass e Years

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