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Disco: “Que isso fique entre nós”, Pélico

Pélico
Brazilian/Indie Pop/Alternative
http://www.myspace.com/pelico
http://www.pelico.com.br/

Por: Cleber Facchi

Um canto solitário em terra de gigantes, assim ecoou a voz do cantor e compositor Pélico ao lançar seu primeiro e minucioso álbum em 2008, O Último Dia de um Homem sem Juízo. Pouco difundido pela imprensa nacional, o disco circulou como um registro raro através de alguns parcos blogs e sites menores, que de forma sábia defenderam o cuidadoso registro, um trabalho que se lançava em meio a arranjos bem elaborados, recordações da música brega dos anos 70, além de um lirismo intimista e solitário em seus versos. Três anos após o lançamento do álbum, o músico retorna, entregando aos ouvintes um projeto ainda elaborado que o anterior e que deve apresentá-lo de forma definitiva ao público que ainda desconhece sua voz.

Que isso fique entre nós, este é pedido feito pelo músico logo na capa do trabalho, um pedido que obviamente não deve ser respeitado e nem cumprido por ninguém. Cada uma das faixas que movimentam o álbum devem ser obrigatoriamente difundidas, mesmo as mais quietas, moderadas e simplistas, afinal, o caleidoscópio de sensações moldadas por Pélico ecoa de maneira universal, como se cada composição ali presente remontasse algum fato melancólico, romântico ou esperançoso do passado. Um disco sobre composições que falam de um mesmo indivíduo, mas que se encaixa no universo de muitos.

Não éramos tão perfeitos assim/ Não éramos tão tolerantes assim/ Não éramos tão à flor da pele assim”, recorda de maneira romântica e triste em Não Éramos Tão Assim, faixa que ilustra de forma coesa em que se baseiam os versos retratados dentro desse disco, um pequeno e sorumbático olhar para um passado recente. Sempre atuando de maneira branda, cada uma das 16 faixas que representam o álbum são moldadas dentro de um jogo ameno de palavras, versos quase sempre penosos, alguns conformados, mas muitos ainda tocados por um amor desfeito, algo bem distinto do álbum anterior, em que mesmo nos momentos mais dolorosos do registro havia um toque de bom humor ou um mínimo de ironia.

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Da mesma forma que uma calmaria ou certo controle tomam conta dos versos, a instrumentação que dá vida ao trabalho passa pelo mesmo processo de suavização. Sempre acompanhado de um minimalismo acústico, Pélico deixa claras suas intenções logo na primeira canção do álbum, Ainda Não é Tempo de Chorar, em que os versos sorumbáticos e ainda assim esperançosos se cobrem por uma instrumentação mínima, controlada e coerentemente alinhada com a maciez das palavras retratadas pelo músico. O mesmo vale para boa parte das canções que delimitam a abertura do álbum, como a climática Sem Medida ou mesmo composições instaladas no término do trabalho, como a reducionista e metafórica O Menino.

Mesmo concentrado em cima de canções pacatas, Pélico ainda investe em alguns momentos que remetam ao seu anterior trabalho, misturando toques de música brega com um tempero de Indie Pop no melhor estilo Beirut do álbum Gulag Orkestar. É através dessa sonoridade que partem faixas como o primeiro single do disco, Vamo Tentá, canção que se protege atrás de um agradável arranjo de sopros, teclados e uma fluência digna de honrar Odair José. O mesmo vale para o toque pueril que delimita Tempo de Criança ou a tragicômica À Beira Do Ridículo, uma das melhores e mais completas músicas do álbum.

Ao mesmo tempo em que mantém alguns traços do Pélico de 2008, o registro entrega ao público um compositor e um músico completamente distinto, renovado e ainda mais surpreendente que aquele que nos apresentou pérolas como Amanhã de Manhã ou Pretexto. A produção de Jesus Sanchez (Los Pirata) e a presença de gente como Bruno Bonaventura, Régis Damasceno (Cidadão Instigado), Richard Ribeiro (SP Underground), João Erbetta (Los Pirata), Tony Berchmans e Guilherme Kastrup preenchem o disco com arranjos e inclusões sempre essenciais, evitando que qualquer tipo de deslize fosse cometido. Que isso fique entre nós, mas o novo álbum do Pélico é um dos melhores discos do ano.

Que Isso Fique Entre Nós (2011)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Banda Gentileza, Marcelo Jeneci e Cidadão Instigado
Ouça: O disco todo

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