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Disco: “Rare Forms”, Woodsman

Woodsman
Experimental/Ambient/Drone
http://www.myspace.com/woodsmanman

 

Para a criação de seu mais novo trabalho de estúdio os integrantes do Woodsman apostam no desenvolvimento de texturas e sobreposições de sons para dar vida às suas excêntricas composições. Embora pareça simplista, Rare Forms (2011) apresenta uma banda que se mune através de diversas vertentes da música para dar forma às suas faixas. O resultado final é um trabalho minucioso e que a cada nova audição vai expondo todas as suas camadas de suas músicas, um trabalho que se mostra milimetricamente pensado por seus compositores.

Enquanto boa parte das bandas contemporâneas de música experimental, tendo como exemplo maior o quarteto Animal Collective, busca por uma sonoridade que mescle as experimentações com uma instrumentação mais pop e acessível, o quarteto vindo de Denver dá vazão a um som muito mais hermético e que se destina visivelmente aos pequenos públicos. Sua obra aproxima-se do som do Collective quando comparado aos primeiros álbuns do grupo, quando o resultado das faixas era muito menos acessível do que como é visto atualmente.

As repetições calcadas no Drone e o efeito quase sinestésico das canções fazem com que o álbum soe algo que é bem similar ao explorado pelo Emeralds em seu disco Does It Look Like I’m Here (2010). Porém enquanto o trio de Ohio dá um toque mais espacial ao álbum, o Woodsman foca em um experimentalismo muito mais seco e material.

Parte dessa sonoridade muito mais centrada do que etérea vê-se pela visível aproximação do grupo com o Krautrock. A banda se firma muito mais na construção de faixas concisas e em uma composição quase matemática, típica do rock alemão da década de 70. A curta duração das faixas também limita o grupo de se alongar nos efeitos e no uso de excessos. Embora seja constituído de sobreposições de som e alguns toques de música ambiente em Rare Forms há sempre uma linha de condução muito bem definida. Essa mesma rigidez nas canções é também o motivo que traz precariedade ao álbum. Na faixa All the Cards Fell In Place, por exemplo, o grupo até demonstra vontade de arriscar, porém quando de fato começa a desenvolver suas texturas e dar vivacidade a composição a música acaba.

A pluralidade de elementos que fazem parte das composições em Rare Forms demonstra a total maturidade e desenvoltura de seus quatro instrumentistas. Mesmo que álbum acabe soando bagunçado e que pareça não haver coesão nas faixas, essa desordem programada é o que movimenta cada uma das faixas. Em alguns momentos como em Beat the Heat o grupo assume ainda uma postura quase tribal em suas composições, o que somado com seus minimalismos e experimentações culmina nos melhores momentos do álbum.

Em cada uma das onze faixas que compõem o novo trabalho do Woodsman a seguridade do grupo é um elemento presente. Toda a instrumentação demonstra a maturidade de seus compositores. Lidando com formas, texturas e ambientações múltiplas o quarteto de Denver mostra que ainda há muito terreno a ser explorado dentro da música, Rare Forms é apenas parte disso.

 

Rare Forms (2011)

 

Nota: 7.9
Para quem gosta de: Animal Collective, Emeralds e Young Prisms
Ouça: Beat The Heat

Por: Cleber Facchi


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