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Disco: “Ratchet”, Shamir

Shamir
Electronic/Hip-Hop/Indie
https://www.facebook.com/Shamir

Shamir Bailey ainda não havia nascido quando a Disco Music ganhou nova roupagem no final dos anos 1980 com a explosão da Italo Disco e a House Music no começo da década seguinte. Nascido em 1994, o artista original da cidade de Las Vegas era apenas uma criança quando o “movimento” Nu-Disco tomou conta da cidade de Nova York no início dos anos 2000, sendo apresentado ao trabalho de artistas como Hercules and Love Afair, Scissor Sisters e Azari & III somente na adolescência.

Interessante perceber em Ratchet (2015, XL), primeiro registro em estúdio do cantor, uma espécie de síntese involuntária de todas essas cenas, reformulações e novos rumos que marcam diferentes fases da música eletrônica. Personagem central da própria obra, Shamir destila sentimentos (In For The Kill), estreita a relação com as pistas (Call it Off) e cria na estrutura flexível dos arranjos (On The Regular) uma obra tão vasta que é difícil encaixar o álbum em um cercado específico.

De vocal andrógino, ao finalizar o primeiro álbum de inéditas, o jovem de apenas 20 anos parece ir ainda mais longe em relação ao material e sonoridade curiosa explorada no single On the Regular. Primeiro grande sucesso de Shamir, a canção apresentada em 2014 parece servir de estímulo para todo o restante do álbum, fragmentando as (novas) composições entre o canto, a rima e o natural compromisso com as pistas. Recortes, colagens e pequenas apropriações conceituais que aos poucos revelam a identidade colorida do artista.

Em uma contínua mudança de direção, por vezes brusca, cada faixa de Ratchet se transforma em um plano isolado dentro da obra. Seguindo a mesma trilha de Azealia Banks em Broke With Expensive Taste (2014), Shamir parece testar os próprios limites, brincando com faixas de essência eletrônica, como Hot Mess e Make a Scene, até composições reclusas, de natureza romântica, caso de Demon e Darker, essa última um fino retrato da aproximação do jovem músico em relação ao R&B dos anos 1990. Até violões aparecem na derradeira KC, música exclusiva da edição virtual do disco.

Principal “ferramenta” da obra, os sintetizadores não apenas estreitam a relação entre as faixas, como sustentam e ainda garantem movimento ao registro. Em composições como Make a Scene e In For The Kill, o uso incontido, eufórico e cativante do instrumento, estimulo para o fortalecimento do lado dançante do trabalho. Em faixas como Darker ou mesmo no ato central de On The Regular, o controle excessivo, garantindo espaço para a voz precisa de Shamir, tão melancólico e intenso quanto Frank Ocean e outros conterrâneos do Neo-R&B.

Frenético mesmo nas composições mais lentas, Ratchet está longe de parecer um disco corrompido pela excessiva “jovialidade” de seu criador. Maduro, Shamir brinca, emociona e ainda convida o ouvinte para dançar sem necessariamente sufocar com os mesmos erros de outros artistas da mesma idade, acerto que se mantém do suspiro que inaugura Vegas até a última faixa do disco.

Ratchet (2015, XL)

Nota: 8.5
Para quem gosta de: Azealia Banks, Petite Noir e Scissor Sisters
Ouça: Call It Off, in For The Kill e On The Regular

Para o amigo Lucas Silva.

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