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Disco: “Recover EP”, CHVRCHES

CHVRCHES
Indie/Synthpop/Electronic
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Por: Cleber Facchi

CHVRCHES

Poucas coisas são tão satisfatórias quanto perceber o trabalho de uma banda que perverte a ingenuidade da música pop com invenção. Ainda que o clima experimental e a sonoridade livre de padrões aproxime o trabalho do trio escocês CHVRCHES de uma temática excêntrica para o gênero, não há como passear pelos poucos instantes de Recover EP (2013, Glassnote) sem entender a obra como um trabalho de nítido acabamento pop radiofônico. Dos vocais mezzo brandos, mezzo pulsantes de Lauren Mayberry aos sintetizadores de acabamentos melódicos (e forte aproximação com a música da década de 1990), cada faixa do pequeno álbum é um salto para a criação de versos tão grudentos (e ricos) quanto qualquer grande exemplar do mesmo meio.

Seguindo os passos de representantes de peso da cena nórdica, o grupo (completo com a presença de Iain Cook e Martin Doherty) trata de encontrar uma linguagem particular para o que Annie e principalmente a sueca Robyn desenvolvem desde o começo da década passada. Uma formatação colorida que praticamente transforma os gracejos de Recover em uma versão colorida daquilo que a dupla The Knife ou mais especificamente o que Karin Dreijer Andersson tem produzido como Fever Ray. Sequências não plásticas de sintetizadores e vocais agridoces capazes de brincar com os altos e baixos de cada composição. Música pop na melhor formatação vendável das melodias, mas livre de exageros ou conceitos tolos.

 

Ainda que com o lançamento da faixa The Mother We Share no último ano a tríade já fosse capaz de apresentar todas as manifestações referenciais que hoje delimitam parte do recente EP, bastam os instantes iniciais de ZVVL para perceber que há muito por trás da mesma massa de inventos que acompanha a ainda iniciante banda. É como se os escoceses tratassem de apresentar James Blake à dança sem jamais se voltar ao exagero. A maior surpresa se esconde ainda em Now Is Not The Time, faixa que concentra Robyn e o trio Haim em um mesmo cenário, isso sem que o trio se distancie da proposta original que marca a faixa de abertura bem como os singles anteriores. Apenas música voltada para as pistas de forma original, como se velhas tendências fossem trabalhadas com foco no presente, na novidade.

Como o título já anuncia, Recover EP parece trabalhado de forma a recuperar a boa forma da música (nesse caso o pop), apresentando ao público um mundo de possibilidades e transformações que mesmo despretensiosas tendem a um resultado maior. Durante a execução do trabalho, o grupo estabelece o que parece ser um duelo constante entre a ausência de novidade em essência – visível nas referências claras ao trabalho de Depeche Mode, Kate Bush, além de todos os artistas acima mencionados -, enquanto usa do passado como um instrumento favorável para o ineditismo. A velha fórmula de olhar para o que já foi feito em busca de conquistar algo “novo” no presente. Uma estrategia repetida por centenas de outras bandas, mas que parece realmente dar certo nas mãos do CHVRCHES.

CHVRCHES

Recover EP (2013, Glassnote)


Nota: 7.8
Para quem gosta de: Robyn, Grimes e The Knife
Ouça: o disco todo

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