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Disco: “Rock’n’Roll Sugar Darling”, Thiago Pethit

Thiago Pethit
Indie/Pop/Rock
http://www.thiagopethit.com/

Por: Cleber Facchi

Mesmo breve, a participação do ator Joe Dallesandro parece ser a chave para o universo explorado no terceiro registro solo de Thiago Pethit, Rock’n’Roll Sugar Darling (2014, Independente). Um dos ícones do cinema (underground) norte-americano na década de 1970, o queridinho de Andy Warhol assume uma função talvez maior do que simplesmente interpretar os versos que inauguram o trabalho. Símbolo de uma época marcada pelos excessos, liberdade sexual, glamour e drogas, Dallesandro é a imagem escolhida pelo cantor para representar todo o contexto e vasto acervo de referências interpretadas ao longo da obra.

Cada vez mais distante do som brando incorporado em Berlim, Texas, de 2010, Pethit resume na urgência das novas canções a completa essência do presente álbum. Entre referências diretas e adaptações sutis, Lou Reed, David Bowie e outros veteranos do Rock maquiado dos anos 1970 não demoram a ocupar os diferentes atos de euforia do registro. Difícil ouvir Quero Ser Seu Cão e não interpretar a crueza do paulistano como um diálogo aberto com o clássico I Wanna Be Your Dog, de Iggy Pop.

Mergulhado em canções noturnas, sempre lascivas, Pethit depende apenas do refrão encaixado na faixa de abertura da obra para seduzir e conduzir o ouvinte. Como um convite perverso, difícil de ser ignorado, o verso explode: “Doce como açúcar, na sua boca / Vem chupar meu Rock’n’roll“. A postura direta, por vezes exagerada – “Se queria matar ou se queria meter” -, é a fagulha para a sequência de explosões que movimentam todo esforço do músico pelo trabalho.

Em uma evidente continuação e completo domínio do material apresentado em Estrela Decadente, de 2012, Pethit passeia pelo novo álbum esbanjando conforto e liberdade. Enquanto os versos disparam confissões sujas, desilusões amorosas e doses consideráveis de luxúria, em se tratando dos arranjos, a inquietação planejada pelos produtores Adriano Cintra e Alexandre Kassin é ainda maior. De um lado, o som elétrico e naturalmente dançante do ex-CSS, no outro, a flexibilidade de Kassin, parceiro de Pethit desde o álbum anterior.

Como solução para o ritmo disforme de Estrela Decadente, Cintra e Kassin incitam a atuação do cantor durante todo o desenvolvimento do disco. Com exceção do necessário controle em De Trago em Trago e Perdedor, representantes da fina melancolia do músico, RNRSD segue em uma estrutura dinâmica e crescente. Entre instantes de maior euforia (Quero Ser Seu Cão) e faixas capazes de grudar em uma primeira audição (Romeo), Pethit e os parceiros de estúdio conseguem manter a atenção do ouvinte em alta, estimulado até o último sussurro em Story In Blue.

Perfeita representação do derreado lema “Sexo, Drogas E Rock’n Roll”, Rock’n’Roll Sugar Darling não apenas sobrevive dos principais clichês e exageros do Rock (clássico), como ainda define uma série de conceitos próprios sobre o gênero. Um som “afetado, safado, cretino” como o próprio cantor resumiu em entrevista. Aqui não há plágio, tampouco reverência. Quase caricatural, como um personagem da época que tanto o inspira, Thiago Pethit desfila expressivo, ambientando com naturalidade o ouvinte ao passado recente que move o disco.

Rock’n’Roll Sugar Darling (2014, Independente)

Nota: 7.9
Para quem gosta de: Adriano Cintra, Filipe Catto e Leo Cavalcanti
Ouça: Perdedor, Quero Ser Seu Cão e 1992


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