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Disco: “Seabed”, Vondelpark

Vondelpark
Indie/R&B/Chillwave
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Por: Cleber Facchi

Vondelpark

Os mais apressados vão chamar de Chillwave, quem está acostumado à cena vai entender como R&B e há até quem pode classificar como Psicodelia, Lo-Fi ou apenas Eletrônica, mas Seabed (2013, R&S), novo álbum do Vondelpark consegue ir além. Se o Pop-Lo-Fi do disco Sauna (2010) parecia fluir como um mero aquecimento, passado o exercício cuidadoso de NUC Stuff and NYC Bags (2011) a banda chega ao terceiro disco muito mais ciente das limitações e acertos que naturalmente movimentam todo o trabalho. Acumulando excessos em um concentrado de sons leves e nostálgicos, o trio assume com o novo álbum um percurso seguro, construindo um resultado cada vez mais próximo do particular a cada nova canção.

Posicionados no mesmo universo de sonorizações caseiras que alimentam o recente Needs, estreia do Giraffage, a banda – formada por Lewis Rainsbury, Alex Bailey e Matt Law – transforma a letargia dolorosa do R&B em um instrumento de movimentação para que faixas carregadas pelo romantismo e a tristeza possam se manifestar. Enquanto as batidas densas ditam o ritmo e a construção do trabalho, camadas confortáveis de sintetizadores, samples e vozes atmosféricas ocupam o restante da obra, fazendo com que o grupo flutue delicadamente entre o toque sombrio do The Weeknd e o ar matinal que alimenta o trabalho de bandas aos moldes de Washed Out.

Assim como nos álbuns anteriores, Seabed flutua em uma estrutura musical confortável e distante de qualquer exagero. Enquanto os vocais de Rainsbury se desenrolam brandos, alimentando as composições como se fossem instrumentos, o encaixe adequado de pequena particularidades sonoras garantem distinção e movimento ao disco. Ainda que uma audição rápida revele um trabalho estruturado em uma massa intransponível de sons agregados, quanto mais tempo o ouvinte passa no decorrer da obra, mais ela revela uma série de nuances e pequenas sonorizações isoladas que garantem beleza ao trabalho do Vondelpark.


Muito embora parte das referências que dão vida ao disco se concentrem na música atual, é na herança de projetos como Boards of Canada que o acerto do disco se revela. Enquanto uma base orgânica – constituída de guitarras, um baixo volumoso, bateria e vozes – se espalha da primeira à última faixa em um estado de plena leveza, um conjunto de sons focados na música eletrônica acrescentam à trama do álbum. São faixas como Closer e Bananas (on my biceps), que livres do R&B incorporam uma sonorização muito próxima do que foi testado em Music Has the Right to Children (1998). Junte tudo ao que Toro Y Moi firmou em Causers Of This (2010) e o Real Estate com o primeiro álbum e você encontra todas as principais marcas do disco.

Embora se manifeste como um trabalho de nítido encaminhamento experimental, Seabed oculta nas sobreposições lisérgicas e batidas instáveis do álbum um genuíno disco de música pop. Basta a faixa de abertura, Quest, e o movimento doloroso dos vocais para perceber isso. Conduzida pelo romantismo, a canção abre espaço para boa parte das confissões e versos bem apurados que a banda despeja ao longo da obra. Some isso ao uso adequado dos instrumentos e efeitos eletrônicos que você tem em mãos obras como Come On, Always Forever e Closer. Faixas marcadas pela leveza e um brilho radiofônico, porém abordadas dentro de uma estrutura não convencional.

Isolado e ao mesmo tempo próximo de diversas obras, o álbum junta tudo o que marca a cena alternativa atual (e até alguns pontos da música pop), chacoalha com leveza, e entrega de forma transformada ao público. São faixas que viajam por décadas de produção musical, ao mesmo tempo em que mantém firme em uma relação com o presente, fazendo de Seabed um bem estruturado Déjà vu sonoro.

 

Seabed

Seabed (2013, R&S)


Nota: 7.9
Para quem gosta de: Giraffage, Washed Out e Toro Y Moi
Ouça: Quest, Seabed e Closer

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